
Olá pessoal!
Sabe quando a gente começa o ano com a sensação de que “vai ter muita coisa acontecendo” e, junto com isso, vem aquele medo silencioso: e se eu perder o controle do meu dinheiro no meio do caminho? Pois é. 2026 já chega com alguns elementos que mexem com a rotina e com o bolso: mais feriados no radar, Copa do Mundo e eleições. Ou seja, um combo perfeito para bagunçar o planejamento se a gente não colocar um mínimo de ordem.
Aqui cabe uma reflexão que vale ouro: o que costuma derrubar o nosso orçamento não é um gasto grande e raro… é a soma dos pequenos “escapes” do mês. Um almoço a mais no feriado, uma viagem “rapidinha”, um delivery porque a semana ficou corrida, um item por impulso “só hoje”, uma promoção que parece imperdível, o transporte por aplicativo para adiantar o dia. Quando a gente percebe, o cartão virou protagonista e o salário virou coadjuvante.
“Mas o salário aumentou… então está tudo certo?”
Aqui entra um dado que ajuda a colocar o pé no chão. O salário-mínimo passou a ser de R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026. Isso é importante e impacta milhões de pessoas, mas não significa automaticamente que “sobrou dinheiro”. Em muitos casos, o reajuste vem junto de pressões do dia a dia: mercado, transporte, contas básicas. Ou seja, a renda muda, mas as despesas também aumentam e é aí que o orçamento precisa virar rotina, não promessa.
É nesse ponto que precisamos ficar atentos à economia do país. Afinal, como ela entra nessa história? Quando a economia está mais instável, a nossa vida costuma sentir de três jeitos bem práticos: preço, juros e emprego/renda. O que o mercado vem projetando para 2026, segundo o Relatório Focus, é uma inflação (IPCA) por volta de 4,05%, com expectativa de Selic encerrando 2026 em torno de 12,25%, e crescimento do PIB perto de 1,8%.
Traduzindo para a linguagem da vida real: juros ainda altos deixam crédito mais caro (parcelamentos pesam mais, financiamentos ficam mais “salgados”), e a inflação, mesmo “controlada no papel”, continua exigindo atenção no carrinho do supermercado e nas contas mensais. Além disso, com mais gente empregada, aumenta a pressão por consumo e com isso, os preços possuem tendência de alta.
E aí vem a grande pergunta: Onde o ano tende a “escapar” do nosso planejamento? Vamos tentar associar esse assunto com o nosso cotidiano, do jeito que acontece em casa.
Feriados são ótimos e ninguém quer viver só para pagar conta. Mas o feriado tem um efeito colateral: ele cria oportunidades de gasto “emocional”. Às vezes é o passeio, às vezes é a viagem, às vezes é receber gente em casa, às vezes é “já que não tem trabalho amanhã… vamos pedir algo diferente?”. O próprio governo federal divulgou o calendário com dez feriados nacionais em 2026 (além de pontos facultativos no setor público, dos feriados estaduais e municipais), o que ajuda a entender por que o ano pode ter mais “janelas” de consumo.
Agora soma isso com a Copa do Mundo (de 11 de junho a 19 de julho de 2026).
Não é só a TV ligada: tem camisa, streaming, reunião com amigos, petiscos, aposta (que muita gente faz “só de brincadeira”), e aquela sensação de que “mereço aproveitar”. Nada disso é proibido, mas o ponto é: se não tiver limite combinado antes, vira gasto decidido na emoção.
E, para completar, 2026 é ano de eleições. A votação do 1º turno está marcada para 4 de outubro de 2026, e o prazo para regularizar título/pendências costuma apertar bem antes. Em ano eleitoral, também é comum aumentar o barulho de notícias e a sensação de incerteza. E quando a cabeça fica ansiosa, muita gente compensa no consumo (ou no crédito). É humano. Só não é barato.
Então, como eu faço para não perder o controle (sem virar “prisioneiro do orçamento”)? Em geral, devemos pensar assim: orçamento não é uma planilha que manda em mim. É um “acordo de convivência” entre a minha renda e a minha vida. Então, em vez de lista enorme, vai um caminho simples e bem realista:
Quer um exemplo prático? Imagine que eu decida que, durante a Copa, vou gastar até “X” com encontros e lanches. Quando esse valor acabar, não significa “acabou a diversão”. Significa só que o próximo encontro precisa ser mais simples: cada um leva algo, ou o lanche é de casa, ou eu assisto sem comprar nada. A diversão continua, mas a dívida não.
Aqui fazemos um convite para reflexão. Se você olhar para 2026 agora, qual é o seu maior risco financeiro?
Não precisa responder para ninguém. Mas responder para si mesmo muda tudo, porque aí você para de ser passageiro e vira gestor do próprio bolso.
Se fizer sentido, no próximo texto a gente pode falar de um ponto que muita gente deixa para depois: como montar uma “reserva mínima” mesmo com renda apertada, sem fórmulas mágicas e sem culpa.
Esperamos que tenham gostado do nosso painel de hoje. Até a próxima!
Autores: Prof. Dr. André Luiz Medeiros e Prof. Dr. Moisés Diniz Vassallo
Grupo Denarius