
Nossa vida é feita de emoções. Emoções são reações complexas e automáticas a eventos ou estímulos que podem ser internos ou externos, envolvendo componentes cognitivos, fisiológicos e comportamentais. Elas funcionam como um sistema de alerta como medo, alegria, raiva, tristeza, nojo e surpresas. As emoções preparam o corpo para agir, resultando em mudanças como alterações na frequência cardíaca e nas expressões faciais e em respostas corporais e atitudinais. As experiências que geram emoções são facilmente lembradas pois geram muita significância no nosso cérebro. Assim aconteceu no dia 23 de novembro do ano de 2019. Um sábado de céu parcialmente coberto na cidade de Niterói. Eu e minha família completa (esposa e três filhas), saímos de nosso apartamento rumo ao Rio de Janeiro no inicio da tarde e seguimos cheios de um sentimento misturado entre entusiasmo, ansiedade e um certo medo. Seguimos rumo ao Maracanã onde seria a Fan Fest preparada pelo Flamengo para assistir a decisão da Libertadores da América com direito a show de artistas flamenguistas, telões gigantes e muita vibração. Parada no estacionamento da UERJ como de costume e um restaurante que fica no caminho entre a UERJ e o Maracanã. Era difícil engolir aquele almoço de churrasco, tamanha a ansiedade que tomava conta de todos. Talvez tenha sido o almoço mais rápido que fizemos e seguimos para adentrar no maior templo do futebol que é o Maracanã. O clima era muito legal, com show de cantores e cantoras flamenguistas ajudando a conter a ansiedade. Parecia que algo muito diferente estava reservado para minha família. A bola rola e o sentimento era que o jogo era no Maracanã pois os telões enormes em nossa frente e a torcida inflamada gerava essa magnífica sensação. A gente esquecia que o jogo estava acontecendo na cidade de Lima no Peru. O Flamengo não joga bem e logo sai o gol do time argentino do River Plate para aumentar a tensão que pairava no ar. O tempo foi passando e nada de mudar o placar. O time estava irreconhecível. Não mostrava reação e com muitos erros e dificuldades. Parecia que nada iria mudar e aos 41 minutos minha filha sugeriu sairmos para evitar o tumulto da saída. Todos concordaram e começamos a tentativa de sair pois a escada de acesso estava totalmente ocupada por torcedores em pé. Com muita dificuldade conseguimos chegar até o túnel de saída e por questões de proteção eu era o ultimo da fila indiana. De costa para o campo e exatamente no momento que entro no túnel, ouço um forte chiado que foi aumentando como se alguém fosse aumentando o som de um grande alto falante até chegar em um estrondo e não tinha como não tentar voltar para confirmar que não estávamos sonhando. Era gol do Mengão. Não tinha como duvidar ao olhar para o estado de êxtase dos torcedores. A questão é que nesse momento era impossível conseguir visualizar os telões com tantas pessoas na frente. Mas não podia perder esse momento e confirmar o que tinha acabado de acontecer. Percebi um tubo de aço que era o guarda mão chumbado na parede do túnel e não pensei duas vezes. Lembrando-se de meus bons tempos de molecagem escalei a parede e fiquei pendurado com os dois pés sobre o guarda mão e segurando com as duas mãos. Já era possível visualizar os telões. Agora ninguém me tirava daquele lugar, pois tinha uma prorrogação a seguir com esse empate de 1 x 1. A torcida ainda fazia festa e vibrava do gol de empate quando outro vulcão reagiu e um novo estrondo ecoou sobre o gigante do Maracanã. Mas dessa vez eu vi com meus olhos o Gabigol atirar para ficar na historia da Libertadores e do Mais querido do Brasil. Uma situação inusitada, pois eu não podia vibrar com os braços, pois estava com minhas duas mãos ocupadas segurando para estar pendurado e visualizando o jogo nos telões. Minha família logo abaixo de mim todos abraçados e chorando. Eu não podia deixar de estar nesse bolo da emoção. Assim, pulei e ali fui envolvido de muitos abraços e lagrimas de emoção e felicidade. Ali eu descobri realmente o que é um porre de felicidade. Jamais esquecerei e não tenho duvidas que esse foi a maior emoção que meu cérebro registrou.
Pelo menos essa é a minha opinião!
Por Ronaldo Abranches/Crônicas do Professor Ronaldo