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4 de set. de 2012
A dor dos outros deveria doer em nós...
Recebi de um amigo uma notícia estarrecedora, num artigo longo que tem por título ?Doentes terminais de países pobres não recebem tratamento digno contra dor, denuncia ONG?, escrito por Paul
Por Dra. Graça Mota Figueiredo
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O artigo começa assim: "Dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso aos medicamentos para dor, seja pela indiferença das autoridades em relação a esse problema, seja por restrições legais e administrativas ao emprego de analgésicos essenciais como os opiáceos. Em um relatório publicado em junho de 2011, a organização Human Rights Watch (HRW) lembrava que 60% das pessoas que morrem a cada ano nos países de renda baixa ou média, ou seja, a desconcertante cifra de 33 milhões de pessoas, precisam de cuidados paliativos. A ONG calculou que mais de 3,5 milhões de pessoas afetadas por algum tipo de câncer ou pela Aids em estado terminal morrem a cada ano sem tratamento adequado contra dor".
Desta vez não se fala do Brasil, mas quem trabalha no nosso país com doentes que têm a dor como companhia de todas as horas, sabe o quanto estas cifras não estão longe de servirem também para nós.
O pouco conhecimento que têm médicos, enfermeiros, farmacêuticos, por exemplo, sobre o uso de morfina (um dos opióides) como tratamento barato, eficaz e seguro contra a dor é assustador. Nas escolas não se ensina, nos cursos de pós graduação também não, e os profissionais seguem cuidando muito mal de quem tem dor crônica...
As pessoas comuns também têm muito medo da palavra "morfina": ela lembra droga ilegal, vício, traficante, morte...
É comum as pessoas se assustarem com a prescrição de morfina a um doente, porque muitas vezes elas ouviram dizer que só se dá morfina a quem vai morrer logo. Ou que quem toma morfina fica sedado o dia todo até a morte. Ou que logo o doente vai pedir por mais e mais comprimidos, porque ficou viciado...
É muito importante quebrar estes mitos, que não ajudam em nada aos doentes com dor crônica, e que são em número muito maior do que se imagina.
Vamos lá:
- a morfina não vicia a quem a usa como remédio, com o seguimento adequado do médico que conheça bem o seu uso;
- todos os efeitos colaterais da morfina (sonolência, discreta confusão mental, às vezes alguma euforia) desaparecem em dois ou três dias;
- o único efeito que precisa ser combatido durante todo o tempo do tratamento é a prisão de ventre, que qualquer laxante controla;
- a morfina é o analgésico mais barato e de ação mais rápida que se conhece contra a dor crônica;
- o controle dos órgãos públicos é bastante eficaz, não se justificando o receio de que o medicamento possa ser usado indevidamente.
Eu realmente espero que mais e mais médicos se interessem em saber como as Associações de Combate à Dor, a ONU, a OMS e tantos outros órgãos internacionais ensinam a tratar impecavelmente a dor.
Números como estes do artigo machucam!!!
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