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1 de ago. de 2026
A TARDE EM QUE DEUS PINTOU O CÉU
Uma cena celestial única e emocionante.
Por Misa Ferreira
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Foto: Misa Ferreira
Aconteceu no verão. Aquele calor, eu bem à vontade em casa. Final de tarde, logo iria escurecer. Eu subi para molhar as plantas. Foi aí que dei com um céu diferente. Aquele crepúsculo não era como os outros, definitivamente não. O céu queria escurecer, mas ainda conservava um tom de azul que juro, nunca tinha visto antes. Fiquei presa naquele cenário. As nuvens continuavam branquinhas como estavam pela tarde, contrastando com o azul mais escuro. De repente apareceu uma nuvem mais baixa, esta agora escurecida como a trazer uma tempestade. Tudo coexistia: o céu de um azul nunca antes visto, a tempestade prestes a cair e as nuvens brancas, luminosas. Talvez fosse assim quando Deus criou o universo pela primeira vez! E Ele pode ter brincado com as nuvens, parecendo que ia chover e não chovendo, experimentando as cores como se estivesse com a paleta e o pincel diante do crepúsculo iminente, ora retirando um elemento da paisagem, ora acrescentando outro. Sentia-me como escolhida para testemunhar a criação. Vale dizer que todos os dias eu subo para molhar as plantas, olho o céu, mas nunca, nunca tinha visto aquilo. Cheguei a pensar em chamar meu marido para testemunhar comigo aquele momento assombroso, brequei a tempo. E se ele nada percebesse além de um céu azul que se torna escuro como acontece em todo entardecer! Como se isso fosse uma coisa normal. Não é, não foi. Foi um milagre! Só não percebe quem não quer. Naquela tarde, especificamente, era mais que um milagre. Eu me sentia arrebatada, sem piscar, sem respirar. Sentia-me feliz, grata por tanta beleza. Fiquei esperando a noite que não acontecia, tudo estava estacionado naqueles tons. Cheguei a pensar que Deus iria falar comigo! Estava pronta e prestes a cair de joelhos em adoração. Eu sentia a mais perfeita conexão com o divino que pudera experimentar em toda a minha vida. Olhando atentamente percebi que o céu se aproximava e se afastava, brincando comigo. As cores estavam mais vibrantes ainda, eu estava totalmente rendida, extasiada, sem conseguir mover um músculo. Deus está aqui! Mas Ele não falou, só me permitiu saborear aquele espetáculo majestoso que falava por Ele. Não sei colocar em palavras, era um jogo que Ele manejava magnificamente afastando as nuvens e intensificando seu brilho. E o azul, azul turquesa se alternando em azul cobalto! Não acontecia apenas um entardecer. Naquela tarde, Deus pintou o Céu.
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