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16 de out. de 2026
A TEMPORÃ
Ao compilar suas crônicas, a escritora de 45 anos apresenta a 'crônica temporã', nascida de uma palavra inesperada que marca seu início tardio e eclético na literatura.
Por Misa Ferreira
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Foto: Misa Ferreira
Estou compilando minhas crônicas para um novo livro. Para tanto, procurei separar os textos por categorias, por exemplo, crônicas sobre memórias da infância, reflexões, histórias cômicas, filosóficas, crônicas de sensibilidade à flor da pele, e por aí vai. Nesse trabalho concluí que sou uma escritora eminentemente eclética, transitando livremente por diversos temas, sem me prender a nenhum padrão, norma ou critério, escrevo livremente sobre qualquer assunto sem comprovação científica, pois há muito já compreendi que a crônica é livre.
Paralelamente ao trabalho de reunir as crônicas vão surgindo novas ideias, novos textos para o acervo. Não sou assim agraciada como os grandes escritores que só fazem estender as mãos e a inspiração vem gentilmente pousar suas asas. Não. Meu trabalho de escrever é um pouco mais árduo, pois eu tenho que alçar voo para agarrar uma ideia que passa furtiva sobre mim e que sinto que não posso deixar escapar. Essa ideia pode ser qualquer coisa, um sorvete, um tambor, um vestido ou uma palavra como foi o caso em questão: temporã, uma palavra que proferi sem pensar e que me pegou de surpresa. Como nunca percebi a beleza desta palavra? Ela sugere uma aura poética! Pelo fato de passar um tempo sem escrever, o novo texto viria como uma filha que tardou a chegar, ou seja, uma crônica temporã. Não tive dúvidas quanto ao título, teria que ser temporã e pronto.
Quando a crônica ganha corpo é lindo, é um nascimento. Mas neste caso aconteceu algo inusitado, a crônica não avançava, apenas o título falava muito forte ao meu coração: Temporã! Temporã! Sofro deste transtorno de no meio do caminho ficar encantada e paralisada diante de alguma palavra, algo mágico. Foi-se embora a história, fiquei apenas com o título. Ainda que fosse só o título, já bastava, nunca me senti tão rica, de mãos cheias.
Coincidentemente, eu também fui, de certa forma, uma escritora temporã, considerando que nunca escrevi nada em minha vida antes dos meus quarenta e cinco anos. Sou uma escritora que realmente tardou a chegar.
Por ora, fiquemos com o título, afinal, hoje, ele é o protagonista. A crônica a qualquer hora dará o ar da graça!
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