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21 de ago. de 2026
DÍVIDAS EM ORDEM: COMO DEFINIR PRIORIDADES ANTES DE NEGOCIAR
Aprenda a proteger o essencial, fazer inventário das dívidas, priorizá‑las em camadas e negociar com segurança, evitando surpresas e superendividamento.
Por Grupo Denarius
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Foto: Conexão Itajubá
Olá pessoal!
Desde 2017, quando iniciamos os painéis de Educação Financeira no Conexão Itajubá, temos reforçado uma ideia simples: para melhorar a vida financeira, é preciso olhar para os números da própria casa.
Já falamos sobre orçamento doméstico, planejamento financeiro, endividamento, inadimplência, renegociação de dívidas e comportamento de consumo. Mais recentemente, no Programa Recomeçando, retomamos essa caminhada com ferramentas práticas: a “foto do mês”, o ritual de anotar, revisar e ajustar, o controle dos vazamentos do orçamento, o orçamento inteligente e o uso mais consciente do cartão de crédito.
Agora, o tema é um dos que mais geram preocupação nas famílias: quando existem várias dívidas, por onde começar?
A resposta não é pagar tudo de uma vez. Também não é aceitar a primeira proposta que aparecer. A resposta é: organizar, priorizar e agir em uma ordem que caiba na vida real.
O primeiro ponto é separar dívida de inadimplência. Uma família está endividada quando possui compromissos a vencer, como parcelas, empréstimos ou financiamentos. Ela está inadimplente quando deixa de pagar uma obrigação no prazo.
Portanto, ter dívida não significa, automaticamente, estar em descontrole. O problema aparece quando as parcelas não cabem na renda, quando os juros fazem a dívida crescer rapidamente, quando o atraso ameaça algo essencial ou quando uma nova dívida é usada para pagar a anterior sem resolver a causa do problema.
Em julho de 2026, 82% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, e 29,8% tinham contas ou dívidas em atraso. Esses números mostram que o problema é coletivo. Mas a solução precisa começar pela realidade de cada família. Por isso, antes de negociar, a primeira recomendação é: proteja a base da casa.
Alimentação básica, moradia, água, energia, saúde, transporte necessário e condições mínimas para trabalhar precisam ser considerados antes de definir quanto será destinado às dívidas. Isso não significa ignorar credores. Significa negociar com responsabilidade.
Muitos acordos não funcionam porque são feitos sem calcular a capacidade real de pagamento. A proposta parece boa no dia da conversa, mas não cabe nos meses seguintes. Às vezes, a pessoa olha apenas para o valor da parcela e esquece de somar todas as outras contas. Em outros casos, o desconto chama mais atenção do que o valor total que será pago.
Por isso, uma negociação só ajuda quando a nova condição cabe no orçamento. Trocar uma dívida por outra só faz sentido quando o custo total diminui e a nova parcela é realmente possível de pagar.
O segundo passo é fazer um inventário das dívidas. Em uma folha, caderno ou planilha, registre: para quem devo, qual é o tipo de dívida, qual é o saldo atualizado, qual é o valor da parcela, qual é o vencimento, se está em dia ou atrasada e quais juros ou encargos estão sendo cobrados.
Não é possível priorizar aquilo que ainda está escondido. Faturas, contratos, aplicativos, boletos, mensagens e comprovantes ajudam nesse levantamento. Quando envolver bancos e instituições financeiras, o Registrato, do Banco Central, também pode auxiliar na consulta de empréstimos e financiamentos. Mas ele não substitui o controle da própria família, porque contas de serviços, carnês, aluguéis e dívidas informais podem não aparecer ali.
Depois do inventário, vem a priorização. A proposta é organizar as dívidas em camadas. A primeira camada é a base, ou seja, o mínimo necessário para viver e trabalhar. Antes de qualquer acordo, a família precisa saber quanto precisa preservar para alimentação, moradia, saúde, transporte e funcionamento básico da casa.
A segunda camada envolve dívidas de urgência e risco, como aquelas que podem gerar corte de serviço essencial, ameaça à moradia, perda de bem necessário ao trabalho ou obrigação legal urgente.
A terceira camada reúne dívidas de custo acelerado, como rotativo do cartão, limite da conta e créditos com juros altos. Nesses casos, a dívida cresce rápido e precisa de atenção especial.
A quarta camada envolve atrasos negociáveis, ou seja, contas vencidas que precisam ser regularizadas, mas que não têm o mesmo risco imediato das anteriores.
A quinta camada reúne os compromissos controlados, que estão em dia e cabem no orçamento. Essas dívidas devem continuar sendo acompanhadas, mas nem sempre precisam ser antecipadas quando existem dívidas mais urgentes ou mais caras. Essa organização ajuda a responder: qual dívida exige ação primeiro?
Quando duas dívidas têm risco parecido, priorizar a de maior custo pode reduzir o valor total pago. Se os custos forem semelhantes, quitar uma dívida menor pode liberar uma parcela e dar fôlego ao orçamento. O importante é decidir com critério, não por impulso.
Depois de organizar as dívidas, prepare a negociação. Antes de ligar ou enviar mensagem ao credor, confirme o saldo atualizado, a origem da dívida e o tempo de atraso. Defina também o valor máximo de parcela que cabe no orçamento e uma entrada que não comprometa o essencial.
Na conversa, pergunte: qual é o valor para quitar à vista? Qual será o valor total parcelado? Quantas parcelas serão? Quais juros e encargos estão incluídos? O que acontece se uma parcela atrasar? A proposta pode ser enviada por escrito? E uma orientação importante: não decida sob pressão.
Você não precisa aceitar a proposta na primeira ligação. Peça tudo por escrito, compare com sua capacidade real de pagamento e veja se o acordo cabe junto com as demais despesas da família. Depois de aceitar, guarde contrato, protocolo e comprovantes.
Também fique atento a fraudes. Nunca informe senha, código de segurança ou token. Antes de pagar boleto ou PIX, confira o beneficiário e confirme a proposta no canal oficial da instituição.
Por fim, se o pagamento das dívidas estiver comprometendo alimentação, moradia, saúde e outras necessidades básicas, procure apoio especializado. Procon, Defensoria Pública e órgãos de defesa do consumidor podem orientar casos mais graves, especialmente quando há superendividamento. Não é necessário resolver tudo em 30 dias. Mas é necessário saber o que existe, o que está em atraso, o que tem maior risco, o que tem maior custo, quanto realmente cabe no orçamento e qual será a primeira ação.
Dívida organizada ainda é dívida. Mas deixa de ser surpresa, deixa de ser um peso sem forma e começa a entrar sob gestão.
Esperamos que tenham gostado do nosso painel de hoje. Até a próxima!
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