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24 de abr. de 2026
E O PAI ATÍPICO, COMO FICA?
Pais atípicos enfrentam desafios e sentimentos intensos, mas pouco se fala sobre suas emoções.
Por Conexão Inclusão
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Foto: Eduardo Sato
Muito se fala e comenta sobre a força das mães atípicas, sobre suas angústias, desafios e medos! Com toda certeza, elas são, em 99% dos casos, as principais responsáveis em organizar e levar seus filhos atípicos às terapias, que acompanham consultas, enfrentam olhares e preconceitos, reorganizam a rotina da casa e, muitas vezes, deixam de lado seus próprios sonhos e carreiras profissionais em prol ao desenvolvimento de seus filhos. E sempre surge a pergunta “quem cuida de quem cuida?”, tornando-se necessária e extremamente importante essa reflexão para elas, principalmente quando estão sozinhas nessa “caminhada”.
Mas há uma outra pergunta que raramente é feita: e o pai atípico, como fica?
Vivemos um tempo em que as famílias estão cada vez mais fragilizadas. Discussões banais, egocentrismo e orgulho têm acabado com lares. A fé, para muitos, é lembrado apenas em momentos de medo ou aflição. Nesse cenário, as famílias atípicas enfrentam desafios ainda maiores.
Estudos e levantamentos divulgados apontam que, quando nasce uma criança com T21, um número significativo de “pai” abandona o lar. Em casos de doenças raras, esses índices são ainda mais elevados. É uma realidade dura, que explica e reforça, a preocupação com as mães que permanecem e assumem praticamente sozinhas a responsabilidade pelo cuidado e atenção.
Entretanto, existem também os pais que ficam! Pais que reorganizam a própria vida. Pais que trabalham dobrado para que todo suporte e conforto seja suficiente. Pais que muitas vezes silenciam suas inseguranças para sustentar emocionalmente a esposa. Pais que aprendem, estudam, acompanham terapias, participam de reuniões escolares e enfrentam seus próprios medos sobre o futuro. Pais que se dedicam a fazer o seu melhor para que os sonhos de seus filhos atípicos possam um dia se tornarem realidade.
Mas pouco se fala sobre os sentimentos desses homens. Mas por quê?
Existe uma expectativa quase automática de que o pai seja a base “inabalável”. Que ele precisa “ser forte” quando a esposa está exausta. Precisa ser racional quando o coração quer desabar. Precisa, em muitos casos, garantir o conforto financeiro enquanto tenta estar presente na rotina dos filhos.
Mas por trás da postura firme existe alguém que também sente medo, culpa, insegurança e, muitas vezes, desespero. Não se trata de disputar espaço ou comparar dores com a mãe (algo impossível quando falamos de maternidade e paternidade). Trata-se de ampliar o olhar. Uma família não se sustenta com um único pilar. Quando o pai está emocionalmente saudável, toda a estrutura familiar se fortalece.
A Bíblia oferece uma imagem poderosa sobre responsabilidade e presença: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.” (Provérbios 22,6). Ensinar o caminho não é apenas prover recursos. É estar presente. É participar. É construir referência afetiva e espiritual. É permanecer, mesmo quando é difícil de se sustentar diante de dificuldades ou até mesmo do medo de não “dar conta”.
Ser pai atípico é um aprendizado constante. Não existe manual que ensine a lidar com o turbilhão de sentimentos que surgem após um diagnóstico. A informação está disponível com facilidade, o que não está escrito em lugar algum é como administrar o medo do futuro, a preocupação com quem cuidará do filho quando os pais não estiverem mais aqui, ou a pergunta silenciosa que ecoa no coração: “Estou fazendo o meu melhor?”. Talvez essa seja a pergunta mais honesta que um pai pode fazer. E pais ausentes não fazem essa pergunta.
É preciso cuidar, E MUITO, das mães atípicas, e isso não temos dúvidas. Mas também é necessário criar espaço para que pais atípicos falem, compartilhem suas fragilidades e encontrem apoio. Num tempo em que abandonar parece mais fácil do que lutar, escolher ficar é uma decisão mais correta e digna diante dos desígnios que Deus nos concede. E, no fim, é essa escolha que sustenta toda família.
Eduardo Hideo Sato - Pai do Rafael de 14 anos que tem a T21, idealizador e coordenador da 1ª equipe de Futsal Down de MG
SIGAM NOSSO INSTAGRAM: @t21arenapark.
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