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8 de mai. de 2025
Juros altos: o que tem de ruim e o que tem de bom
Você já deve ter ouvido falar da taxa Selic.
Por Grupo Denarius
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Você já deve ter ouvido falar da taxa Selic. Ela é a taxa básica de juros do Brasil, um número importante que influencia a vida financeira de todo mundo por aqui. Pense nela como o "valor do aluguel do dinheiro". Já falamos muito dela aqui na nossa coluna de educação financeira. Quando a Selic está alta, o aluguel do dinheiro fica mais caro para todo mundo.
É o valor que os bancos usam como base para emprestar dinheiro uns para os outros e que influencia todas as outras taxas de juros do país. Quem decide qual é esse preço é o Banco Central do Brasil, olhando sempre para como está a nossa economia.
Como ela mexe com a gente e com a economia?
O Banco Central usa a Selic para controlar, principalmente, a inflação. E nesta semana ela está tão alta que desde 2006 o Brasil não via uma taxa tão alta assim.
Quando a Selic sobe (fica alta): O "preço do aluguel do dinheiro" aumenta. Com o dinheiro mais caro, fica mais difícil e caro para as pessoas e empresas pegarem empréstimos ou financiamentos. Isso faz com que todo mundo gaste menos, comprando menos coisas. Quando a procura por produtos e serviços diminui, os preços tendem a parar de subir tão rápido, ajudando a controlar a inflação. Para quem tem um dinheiro guardado em alguns tipos de investimento mais seguros (que acompanham a Selic ou o CDI, que é bem parecido com ela), essa alta pode ser boa, pois o rendimento aumenta.
Quando a Selic desce (fica baixa): O "preço do aluguel do dinheiro" cai. Fica mais fácil e barato pegar crédito. Isso anima as pessoas e empresas a gastarem mais, comprando e investindo em projetos e novos negócios. A economia anda mais rápido, mas se andar demais, os preços podem voltar a subir (inflação). Nesse caso, os investimentos mais seguros que acompanham a Selic rendem menos.
Então, a Selic é uma ferramenta importante para equilibrar a economia: quando os preços estão subindo muito, ela sobe para esfriar as coisas; quando a economia está parada, ela desce para incentivar o gasto. E no nosso dia a dia, ela afeta diretamente quanto pagamos por empréstimos e financiamentos e quanto ganhamos em certos tipos de investimentos.
Em termos práticos o que significa Selic alta para o seu bolso?
Com a Selic lá em cima, duas coisas principais acontecem:
Pedir dinheiro emprestado fica mais caro: Isso vale para tudo: empréstimos pessoais, financiamentos de casas, carros, e até mesmo os juros do cartão de crédito. Os bancos cobram juros maiores porque, para eles, conseguir dinheiro também está mais caro.
Guardar dinheiro pode render mais: Por outro lado, para quem consegue guardar um dinheirinho, a Selic alta pode ser uma oportunidade. Certos investimentos, principalmente os considerados mais seguros, passam a render mais.
Então quais seriam as estratégias inteligentes com a Selic alta?
- Evite pegar empréstimos e financiamentos novos: Se você não precisa urgentemente, espere. Com os juros altos, a dívida fica muito maior no final. Se puder, adie aquela compra parcelada ou o financiamento e se organize para comprar à vista no futuro.
- Cuidado com o cartão de crédito e cheque especial: Os juros dessas modalidades são sempre muito altos, e com a Selic alta, ficam ainda maiores. Tente pagar o valor total da fatura do cartão e evite usar o cheque especial ao máximo. Se já estiver endividado nessas linhas, procure formas de negociar ou trocar por uma dívida com juros mais baixos, se possível (mas lembre-se que com a Selic alta, até essas opções podem estar caras).
- Olhe com carinho para investimentos mais seguros. Sabe aqueles investimentos que acompanham a Selic ou o CDI (um índice que anda bem junto com a Selic)? Eles ficam mais interessantes agora. É o caso de:
- CDBs (Certificado de Depósito Bancário): É como "emprestar" dinheiro para o banco e ele te devolve com juros. Muitos CDBs rendem um percentual do CDI. Com o CDI alto, seu dinheiro ali rende bem.
- Tesouro Selic: É um tipo de investimento do governo que acompanha a taxa Selic. É considerado muito seguro e uma boa opção para guardar sua reserva de emergência, aquele dinheiro que você pode precisar a qualquer hora. Prefira as opções pré-fixadas, assim se a taxa subir você não perde dinheiro em caso de necessidade de saque imediato.
- LCIs e LCAs (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio): Parecem com CDBs, mas o dinheiro que você investe vai para o setor de imóveis ou do agronegócio. Uma grande vantagem é que, para a pessoa física, o rendimento desses investimentos geralmente é livre de Imposto de Renda, o que aumenta o ganho final no seu bolso.
Em resumo:
Com a Selic alta, a regra é clara: pense duas vezes antes de pegar dinheiro emprestado, pois está caro. Por outro lado, aproveite para fazer seu dinheiro render um pouco mais nos investimentos mais seguros, como aqueles ligados ao CDI e à própria Selic.
Ah e não podemos esquecer de falar do impacto que tem na economia para quem não está nem se endividando nem economizando. Como esse período de Selic alta já se estende desde o começo do ano, os investimentos em novos projetos, negócios ou até mesmo para a recomposição de capital de giro ou de equipamentos depreciados fica comprometido. Com os juros altos fica difícil tomar empréstimos para novos negócios ou para manutenção dos já existentes. E isto desaquece a economia, tornando o crescimento da renda e do emprego mais difíceis.
Lembre-se, o mais importante é entender para onde seu dinheiro está indo e fazer escolhas conscientes para proteger e fazer crescer suas economias. Se tiver dúvidas, procure informação de fontes confiáveis e, se possível, converse com alguém que entenda do assunto para te ajudar a dar os primeiros passos. Esperamos que tenham gostado do nosso painel de hoje. Até a próxima!
AUTORES: Prof. Dr. André Luiz Medeiros e Prof. Dr. Moisés Diniz Vassallo
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