Crônicas do Professor Ronaldo
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9 de jan. de 2023
NO GIGANTE DA COLINA, ROBERTO DINAMITE FOI UM GIGANTE.
Pelo menos essa é a opinião de quem muito sofreu pelos gols marcados contra meu Flamengo, mas tem a minha admiração e homenagem.
Por Prof. Ronaldo Abranches
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O Brasil do passado gerou vários ídolos. Quem cria ídolos são as pessoas que tem uma intensa admiração ao longo de um determinado tempo. Nenhum ídolo nasce de repente. Características pessoais, habilidades e principalmente feitos admiráveis nos levam a adotar um ídolo. No meu caso, aprendi a admirar o jogador Zico quando ainda era criança pelas suas habilidades como jogador. Quando fui crescendo e compreendendo melhor as coisas da vida comecei e perceber que o Zico tinha várias qualidades também fora do campo, pois era uma pessoa de bom caráter, valorizava muito a família, a ética e bons costumes. Assim eu passei a admirá-lo como ídolo. Mas junto com tantas mudanças econômicas e comportamentais, esse país parou de criar novos ídolos. Os atletas de futebol que poderiam inspirar essa criação vão embora do Brasil ainda muito jovem e não há o tempo suficiente nem empatia para que seja considerado um ídolo. A grande questão é que nossos verdadeiros ídolos estão indo embora sem que novos apareçam. Assim acabamos de perder nosso Rei eterno e poucos dias depois perdemos o maior ídolo de toda a historia do Clube de Regatas Vasco da Gama. Eu vivenciei a história de Roberto Dinamite principalmente porque era o ídolo do maior rival do Flamengo em que por benefícios do destino, cada clube tinha um ídolo. A rivalidade bem como a grandeza dos jogos entre Vasco e Flamengo veio muito da promoção que era feito diante das torcidas na guerra entre Zico X Roberto Dinamite. Quem iria fazer mais a diferença? Em uma época que não havia redes sociais, a radio e as conversas no trabalho e nas esquinas dos bairros eram os momentos de uma saudável discussão. Muitas piadas eram criadas pelas torcidas abastecendo uma cultura sadia e de rivalidades. Interessante que dentro do campo ambos viravam grandes guerreiros em uma batalha sem igual, mas fora dele foram grandes amigos ao ponto de Zico fazer o impensável para época que foi vestir a camisa do Vasco na despedida de seu amigo Roberto do futebol. Roberto Dinamite se notabilizou não pelo mandato como presidente do Vasco e nem pelos mandatos como politico (vereador e deputado pelo Rio de Janeiro), mas sim por aquele jogador identificado com sua imensa torcida e seu futebol artilheiro que o fez ser o maior artilheiro do campeonato Brasileirão com 190 gols marcados. Após sua rápida saída do Vasco para o Barcelona, ao retornar em seu jogo amistoso de celebração pelo seu retorno no dia 04/05/1980, o Vasco ganhou de 5 x 2 do Corinthians sendo todos os cinco gols feito pelo gigante artilheiro. Ao fazer oposição ao ditador e presidente Eurico Miranda, em um momento em que o Vasco já demonstrava uma vulnerabilidade administrativa e um caos financeiro, Roberto Dinamite teve sua maior dor em passar a humilhação de ser expulso de São Januário. Mas um ídolo não morre jamais e assim ele voltou não somente como presidente, mas também com uma estátua em local de destaque em frente a torcida que deve perpetuar naquela casa que o fez ídolo. Estatua que foi paga pelos torcedores em apenas seis horas de vaquinha pela internet, demonstrando o quanto é um ídolo de fato e de direito. No gigante da colina, Roberto Dinamite foi um gigante.
Pelo menos essa é a opinião de quem muito sofreu pelos gols marcados contra meu Flamengo, mas tem a minha admiração e homenagem.
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