
Hoje vou escrever sobre o azul. Como assim? A cor azul. O céu azul, o mar azul, o azul dos meus olhos, o azul dos olhos seus, o amor azul. O azul é alegre, é chique e simples, é privilegiado, é pacífico, é supremo.
Na crônica “Palavras Pessoais”, Paulo Mendes Campos relata que certa vez, “um cego disse que gostaria de viver numa cidade, cujo céu todos os dias fosse azul”. Não é preciso explicar muita coisa, não é? Mas o escritor e poeta explica: “O azul do céu não é uma cor, mas uma qualidade do mundo, uma luminosidade de todos os sentidos, uma fragrância, um ar mais delicado, um concerto de sons, uma transparência do universo.” Eu ouso acrescentar, o azul no céu sugere harmonia, paz na Terra e paz no Céu. Quando faço minhas orações pela manhã, se o céu está azul, percebo que a passarinhada fica mais feliz, brincam de pega-pega no meu nariz, pertinho do Céu e pertinho de mim, aqui e no jardim.
Haverá cores no Céu? As paredes do Céu devem ser azuis. Ah, certamente! Eu pergunto e eu respondo.
A Terra é azul, assim disse Yuri Gagarin, o cosmonauta russo e o primeiro ser humano a ir ao espaço, em 12 de abril de 1961. E como se não bastasse a Terra ser linda vista daqui de dentro, é estupidamente maravilhosa vista de lado de fora. Que pena que não vou ser astronauta. Tudo bem. Quero apenas o seu sentimento quando vê a terra azul, mas a mim, basta contemplar o Cruzeiro do Sul. Se bem que dizem que foi tudo fake, que ninguém foi à lua nem a nenhum lugar de onde a Terra podia ser vista. Será? Bem, se a Terra de longe não for azul, não faço questão de vê-la. Que tristeza, tudo mudou, a Terra não é azul e também não é redonda, é plana, dizem assim. E o azul da Terra depois da guerra não será o mesmo. Serão dias cinzentos e tristes como já estão.
Se alguém pergunta: o tempo está bom? Não bastando dizer que sim, que há sol e sol quente, acrescentamos: um céu azul lindo de doer os olhos!
Antigamente usava-se fazer a pergunta: tá tudo azul? Faz tempo que não ouço isso. Passou a moda. Tudo azul quer dizer: tudo está bem.
A cor azul possui cerca de cento e onze tons diferentes. Por exemplo, azul anil, azul bebê, azul celeste, azul cobalto, azul marinho, azul turquesa, azul claro, azul escuro e por aí vai.
Depois dessas várias exposições de azul, não podemos nos esquecer de que Nossa Senhora parece ter uma predileção pelo azul, haja vista ser azul o manto que mais ela usa. “Azul é teu manto, branco é teu véu, Mãezinha eu quero te ver lá no Céu”.
Mas, mesmo amando loucamente o azul, não dispenso o meu pretinho que, aliás, fica muito chique de dia e de noite, com um colar de pérolas ou uma gargantilha elegante, ou ainda, apenas brincos. Mas o azul …
Por Misa Fereira
Misa Ferreira é autora dos livros: Demência: o resgate da ternura, Santas Mentiras, Dois anjos e uma menina, Estranho espelho e outros contos, Asas por um dia, Na casa de minha avó e Ópera da Galinhinha: Mariquinha quer cantar. Graduada em Letras e pós graduada em Literatura. Premiada várias vezes em seus contos e crônicas. Embaixadora da Esperança (Ambassadors of Hope) com sede em Calcutá na Índia. A única escritora/embaixadora do Brasil a integrar o Projeto Wallowbooks. Desde 2009 Misa é articulista do Conexão Itajubá, enviando crônicas e poemas. Também contribui para o jornal “O Centenário” de Pedralva.