As fortes chuvas que atingiram Itajubá na quinta-feira, dia 26, foram resultado de um complexo sistema atmosférico associado ao transporte de umidade do Atlântico Tropical em direção ao Sudeste. O episódio mobilizou a Defesa Civil, sistemas de monitoramento e especialistas, diante do volume elevado de precipitação em curto intervalo de tempo e seus impactos em áreas urbanas.
De acordo com Michelle Reboita, pesquisadora do Centro de Ciências Atmosféricas e professora titular da Unifei, a chuva foi provocada pelo deslocamento de uma grande massa de umidade que entrou no país pela região amazônica e seguiu até o Sudeste. Esse processo foi potencializado por mecanismos em níveis mais altos da atmosfera, que favoreceram a formação de nuvens intensas. Segundo ela, o aglomerado de nuvens responsável pelo episódio se deslocou da região de Brasópolis, passou por Itajubá e seguiu em direção a Maria da Fé.
A pesquisadora explicou que esse tipo de evento é difícil de prever com precisão localizada. O monitoramento mais detalhado depende de radares meteorológicos, que permitem previsões de curtíssimo prazo, com cerca de duas horas de antecedência, tempo considerado suficiente para emissão de alertas e preparação da população.
Os dados de precipitação foram apresentados por Vitória Baratella, diretora da Asthon Tecnologia. Segundo ela, os maiores acumulados registrados variaram entre 33,2 milímetros e 47,2 milímetros em diferentes pontos da cidade, com destaque para as regiões da BPS e da Medicina. O principal fator de impacto foi a concentração do volume em curto período, que elevou rapidamente o nível de córregos e aumentou o risco de alagamentos.
A população pode acompanhar em tempo real os alertas e o monitoramento das chuvas, níveis de rios e condições em diferentes regiões da cidade por meio do site aovivo.alertaitajuba.com.br. O sistema também permite acesso ao canal de alertas pelo WhatsApp, disponível em alertaitajuba.com.br, onde é possível ativar notificações sobre riscos de alagamentos e transbordamentos.
Segundo Vitória Baratella, o sistema emitiu 11 alertas ao longo do dia, sendo oito em nível de atenção (laranja), que indicam risco de alagamentos ou transbordamentos, e três em nível de observação (amarelo). Durante o evento, mais de 20 mil acessos foram registrados na plataforma, refletindo a busca da população por informações sobre a evolução da chuva, níveis dos cursos d’água e áreas com risco.
O coordenador da Defesa Civil de Itajubá, Adílson José, informou que, apesar dos danos materiais, não houve vítimas. Entre as principais ocorrências, houve o desabamento de um muro próximo ao Hospital Escola, que atingiu oito veículos, todos com perda total. Também foi registrado um deslizamento no bairro Santo Antônio, que levou à retirada preventiva de famílias de sete residências por medida de segurança.
Segundo ele, as equipes atuaram em conjunto com o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Prefeitura no atendimento às ocorrências e no suporte às famílias afetadas. A Defesa Civil segue em alerta permanente e orienta a população a acompanhar os sistemas oficiais e priorizar a segurança, especialmente em áreas de encosta e locais sujeitos a alagamentos.
Michelle Reboita ressaltou que o episódio teve influência de diversos fatores atmosféricos e que a tendência para os próximos dias é de tempo mais estável na região, com possibilidade apenas de chuvas isoladas típicas do período.
Por Redação, com informações de Michelle Reboita, Vitória Baratella e Adílson José