
Olá pessoal!
No início de 2018, neste painel, falamos de orçamento doméstico como um caminho simples para organizar ganhos, gastos e entender se o mês termina no “verde”, “amarelo” ou “vermelho”. A proposta era direta: mesmo com pouco dinheiro, dá para saber se ele está sendo bem gasto, desde que a família tenha visibilidade do que entra e do que sai.
Agora, em fevereiro, depois do Carnaval, esse raciocínio fica ainda mais prático: é hora de tirar uma “foto do mês”. Pense nisso como um diagnóstico rápido, organizado e realista da sua vida financeira. Não é para julgar, culpar ou exigir perfeição. É para parar de decidir no escuro e começar a escolher com mais segurança por onde começar.
Na prática, a “foto do mês” responde quatro perguntas que quase sempre ficam misturadas na cabeça; e, por isso, geram a sensação de que “o dinheiro some”: quanto entra, para onde está indo, o que está te prendendo (dívidas/parcelas) e o que pode virar problema rápido (atrasos e riscos). Quando você enxerga isso em uma página, o dinheiro sai do piloto automático e entra em modo gestão.
Um ponto crítico aqui é trabalhar com números reais, não com estimativas. O diagnóstico fica forte quando você usa três fontes simples: extrato do banco (ou app), fatura do cartão (se tiver) e contas/boletos do mês. Em 10 a 15 minutos, você deixa de “achar” e passa a “ver”. E ver muda a decisão.
A primeira parte é a renda líquida: o que de fato cai na conta e está disponível para o mês. Muita gente ainda pensa no salário “anunciado” (bruto) ou no “quanto deveria sobrar”, mas o orçamento funciona com o valor que realmente pode ser alocado. Se sua renda varia (comissão, bicos), a postura mais segura é usar uma referência conservadora, como a média recente ou até o menor valor dos últimos meses, para não planejar acima do que dá para sustentar.
A segunda parte é enxergar os gastos com uma lógica que evita cansaço e desistência: separar essenciais e ajustáveis. Essenciais mantêm a casa funcionando e, se falharem, geram impacto imediato (moradia, alimentação básica, contas domésticas, saúde, transporte necessário). Ajustáveis não são “proibidos”, mas podem ser reduzidos, adiados ou substituídos sem comprometer a sobrevivência do mês. É justamente nos ajustáveis que normalmente aparecem os “vazamentos”: pequenas decisões do cotidiano que parecem inofensivas, mas somam e apertam o orçamento.
A terceira parte é colocar na mesa as dívidas e compromissos do mês. Atenção: não é para calcular “a dívida da vida inteira” agora. O objetivo do diagnóstico é entender quanto você precisa pagar neste mês (parcela, mínimo, vencimento) e o que está atrasado. Isso muda o jogo, porque muitas pessoas não estão apenas “gastando demais”; elas estão sendo pressionadas pelo custo das parcelas, do mínimo do cartão e dos atrasos, que encarecem o mês e fazem a conta não fechar.
A quarta parte é o seu radar de risco: atrasos e riscos imediatos. Atraso não é só “conta vencida”. Atraso é aquilo que pode gerar efeito cascata — multa, juros, negativação e, em alguns casos, corte de serviço essencial. Por isso, fevereiro é mês de priorização. Você escolhe o que não pode falhar nos próximos 30 dias. Essa escolha não precisa ser perfeita, mas precisa existir. Sem prioridade, tudo vira urgência; com prioridade, você estabiliza o mês e ganha fôlego.
Com essas quatro partes preenchidas, você faz uma conta simples e descobre a cor do mês, como já trabalhamos no orçamento doméstico:
Renda líquida – [Gastos + Dívidas do mês] = Resultado.
Se sobrou, é “verde”; se empatou, “amarelo”; se faltou, “vermelho”. O valor disso não é rotular você. É ajustar a estratégia. Um mês verde pede consistência e início de reserva (mesmo mínima). Um mês amarelo pede redução de vazamentos e previsibilidade, porque qualquer imprevisto derruba. Um mês vermelho pede estabilização, porque não adianta otimizar detalhes quando o básico não fecha: é preciso atacar o curto prazo e o custo financeiro.
Até aqui, você já tem a sua evidência principal: um Mapa Financeiro de 1 página. Mas diagnóstico sem ação vira só informação. Por isso, o passo final é transformar a foto em três metas simples para 30 dias: uma rotina mínima de controle, um ajuste em um vazamento e um movimento de alívio ligado a dívida/atraso. O critério de qualidade é bem objetivo: seu mapa deve permitir que você explique sua situação em dois minutos, e suas três metas devem caber em uma frase cada, com um comportamento claro e um prazo.
DIAGNÓSTICO FINANCEIRO E “FOTO DO MÊS”
| ORÇAMENTO DOMÉSTICO DO MÊS: _____/20__ | ||||
| A – RENDA LÍQUIDA | VALOR | B – GASTOS | VALOR | |
| 1. Salário | R$ | 1. RESERVA (poupança) | R$ | |
| 2. Vale refeição | R$ | 2a. Moradia (essencial) | R$ | |
| 3. Plano de saúde | R$ | 2b. Moradia (ajustável) | R$ | |
| 4. Comissão | R$ | 3a. Alimentação (essencial) | R$ | |
| 5. Extras | R$ | 3b. Alimentação (ajustável) | R$ | |
| 4a. Saúde (essencial) | R$ | |||
| 4b. Saúde (ajustável) | R$ | |||
| 5a. Transporte (essencial) | R$ | |||
| 5b. Transporte (ajustável) | R$ | |||
| 6. Vestuário | R$ | |||
| 7. Educação | R$ | |||
| 8. Lazer | R$ | |||
| 9. Outros | R$ | |||
| TOTAL | R$ | TOTAL | R$ | |
| SALDO (A – B) | R$ | |||
| C – DÍVIDAS DO MÊS | VENCIMENTO | SITUAÇÃO | VALOR | ||
| 1. | ___/___/_____ | ( ) em dia( ) atrasado | R$ | ||
| 2. | ___/___/_____ | ( ) em dia( ) atrasado | R$ | ||
| 3. | ___/___/_____ | ( ) em dia( ) atrasado | R$ | ||
| TOTAL (C) | R$ | ||||
Resultado do mês: A – (B + C) = R$ ________ → ( ) Verde ( ) Amarelo ( ) Vermelho
| D – ATRASOS E RISCOS | QUAL É? | VALOR |
| Prioridade 1. | R$ | |
| Prioridade 2. | R$ | |
| Prioridade 3. | R$ |
| 3 METAS PARA 30 DIAS | QUAL É? |
| Rotina mínima: | |
| Ajuste (vazamento): | |
| Alívio (dívida/atraso): |
Esperamos que tenham gostado do nosso painel de hoje. Até a próxima!
Por: Prof. Dr. André Luiz Medeiros e Prof. Dr. Moisés Diniz Vassallo