Uma das vozes mais respeitadas do Direito e da diplomacia mundial, Dr. Francisco Rezek, com trajetória que inclui os cargos de Procurador da República, Ministro do Supremo Tribunal Federal, Chanceler da República e juiz da Corte Internacional de Justiça da ONU, esteve na FACESM para uma palestra voltada ao equilíbrio entre os três Poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário.
O foco da discussão foi o cenário político e institucional brasileiro, marcado, segundo o jurista, por uma crise profunda decorrente da divisão social. Rezek ressaltou que o modelo de tripartição e controle recíproco entre os Poderes é ideal, inspirado na estrutura norte-americana e adotado pelo Brasil mais de um século depois. No entanto, avaliou que a prática atual se distancia desse equilíbrio.
Para ele, o país vive um momento em que os Poderes se estranham e a população se vê perdida em meio às disputas, testemunhando, de forma inédita, a Justiça tornar-se alvo de maior insatisfação popular — fenômeno que atribui ao protagonismo crescente do Judiciário em temas que, em tese, caberiam ao Legislativo ou ao Executivo.
Rezek ponderou que o quadro não é permanente. Afirmou acreditar que o caminho para uma reconstrução institucional passa pelo surgimento de uma liderança política capaz de unir o país. Segundo ele, uma vitória eleitoral em 2026 por um nome que não represente os extremos políticos pode devolver estabilidade, serenidade social e condições para que o progresso ocorra de forma civilizada.
Ao dirigir-se ao público de estudantes e profissionais do Direito, Rezek destacou a responsabilidade histórica da categoria diante do país. Lembrou que a Constituição de 1988 conferiu ao Judiciário e aos operadores do Direito poderes sem precedentes no mundo, exigindo, em contrapartida, comprometimento ético, senso de dever e serviço ao povo brasileiro.



Por Redação, com informações do Dr. Francisco Rezek