Entrevista CNX
FACESM: violência contra mulheres exige mudança cultural e aplicação das leis
11 de mar. de 2026 • Por Conexão Itajubá
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Professora Fabiana Sene, da FACESM, destaca raízes do machismo, importância da Lei Maria da Penha e reforça papel da educação e das políticas públicas no combate à violência de gênero.
A violência contra as mulheres continua sendo um dos desafios sociais mais graves do Brasil. Segundo a professora Fabiana Sene, docente do curso de Psicologia da FACESM, o problema está profundamente ligado a uma estrutura cultural marcada pelo machismo e pela misoginia, que historicamente coloca os homens em posição de superioridade.
De acordo com a especialista, esse sistema patriarcal contribui para que muitos homens naturalizem comportamentos de controle e agressividade. “A violência contra a mulher está muito ligada a essa cultura que reforça a ideia de superioridade masculina e dificulta que os homens lidem com emoções e conflitos sem recorrer à violência”, explica.
No Brasil, o cenário é preocupante. Estima-se que cerca de quatro mulheres sejam mortas por dia no país. Para Fabiana, embora a legislação tenha avançado, como no caso da Lei Maria da Penha, o combate à violência exige mais do que apenas normas legais.
“A legislação é importante e precisa ser cumprida. Medidas protetivas ajudam a resguardar muitas mulheres, mas ainda não são suficientes. É necessário também mudar a cultura e ampliar os sistemas de proteção”, afirma.
A professora ressalta que grande parte dos casos ocorre dentro do ambiente doméstico, justamente no local que deveria oferecer segurança. Por isso, ela defende que o enfrentamento da violência precisa envolver toda a sociedade, passando por escolas, unidades de saúde, meios de comunicação e também pelas famílias.
Outro ponto destacado por Fabiana é que a violência geralmente ocorre de forma gradual. Antes de chegar ao feminicídio, muitos relacionamentos passam por sinais de abuso psicológico, emocional ou físico que precisam ser identificados.
“A morte da mulher é o fim de um ciclo de violência que começou muito antes. Por isso é essencial trabalhar a conscientização para que as mulheres reconheçam sinais de relacionamentos abusivos”, pontua.
Ela também alerta para um equívoco comum ao se associar automaticamente atos violentos a transtornos mentais. Segundo a psicóloga, na maioria das situações os autores da violência não apresentam doenças mentais, mas reproduzem comportamentos enraizados em uma cultura machista.
“Não podemos justificar a violência como transtorno mental. Isso acaba desresponsabilizando quem comete o crime e ainda reforça preconceitos contra pessoas que realmente têm sofrimento psíquico”, explica.
Na formação acadêmica, essas discussões também fazem parte do processo de preparação dos futuros profissionais. Na FACESM, Fabiana ministra disciplinas como políticas públicas e psicologia e saúde, abordando legislação, direitos humanos e estratégias de proteção social.
Segundo ela, a formação busca preparar profissionais capazes de atuar na defesa de direitos e na construção de uma sociedade mais igualitária.
Processo seletivo da FACESM segue aberto
Durante a conversa, Fabiana Sene também destacou que o processo seletivo da FACESM segue com inscrições abertas. A instituição oferece cursos noturnos em diferentes áreas.
Entre as opções estão Psicologia, Terapias Integrativas e Complementares, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Direito (100% presencial), Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas.
As inscrições podem ser feitas pelo site facesm.br ou pelo telefone (35) 98802-0125.
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