A melhoria dos indicadores econômicos de países como Estados Unidos e Japão e os sinais de recuperação da zona do euro podem estimular o crescimento do Brasil e, em conseqüência, de Minas Gerais. Esta é uma das variáveis positivas apontadas pela pesquisa Monitor Econômico, referente a junho, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
Considerando ainda medidas internas como aumentos da taxa básica de juros, a Selic, para conter a inflação, o estudo projeta uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano de 2,31%, e de 2,8% em 2014. O PIB de Minas deve registrar incremento um pouco maior, de 3,3%, em 2013. Ainda para este ano, o estudo projeta um crescimento da produção industrial brasileira de 2,23%, inferior à do Estado, que deve chegar a 4%. O faturamento industrial em Minas deve crescer 4,7%. Para o comércio mineiro, a previsão é de aumento no volume de vendas em 9,2%.
“A retomada do crescimento em todos os países é sempre um bom sinal”, pontua o economista da Fiemg, Paulo Casaca. Em sua avaliação, mesmo que a melhora da economia norte-americana e de outros mercados provoque alguma fuga de investimentos do Brasil, ainda assim é um elemento positivo, considerando, inclusive, o aumento da renda e do mercado consumidor para os produtos brasileiros. Conforme suas previsões, a produção física brasileira, que no ano passado ficou positiva em 2,7%, “deve ter resultados melhores”.
Casaca pondera que, embora a desvalorização do real frente à moeda americana traga efeitos nocivos à economia do país, como o aumento da inflação, beneficiará as exportações brasileiras. A projeção é de que a taxa de câmbio encerre o ano em R$ 2,20. E, com a mesma base de comparação, suba para R$ 2,30 em 2014.
Na avaliação do economista, as medidas de contenção da inflação adotadas neste ano, como aumento da taxa Selic, devem gerar alguma estabilidade econômica, com ligeiro crescimento. Segundo o estudo, ao fim deste ano, a taxa Selic deve chegar a 9,25%, subindo apenas 0,25% em 2014, quando deve fechar em 9,5%.
Em nível nacional, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 5,8% neste ano e de 5,9% em 2014. Em junho, o indicador desacelerou (0,26%) ante maio (0,37%), embora no acumulado do ano tenha batido o teto estipulado pelo Banco Central, de 6,5%, chegando a 6,7%. “Acreditamos que a inflação deve ser controlada neste ano e, assim, no ano que vem o Banco Central não precisará mexer tanto na taxa Selic”, prevê Casaca, ressaltando que a manutenção da taxa Selic nos patamares esperados pode evitar uma queda nos investimentos e, conseqüentemente, do PIB.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR) em maio, refletindo o recuo da produção física, do emprego industrial e o fraco resultado do comércio no país, ficou abaixo do esperado, com uma queda de 1,4% ante abril. “Este resultado deve refletir um crescimento menor para o segundo trimestre deste ano”, aponta a pesquisa. Em Minas, o IBC-BR foi positivo em 0,13%.
Quanto à produção física em maio na comparação com abril, o país apresentou uma queda de 2%, contrariando as expectativas do mercado, que projetavam recuo de apenas 1%. Depois de vários meses com destaque positivo, o setor de bens de capital caiu 3,5%. No mesmo período, a produção física de Minas aumentou 1,1%, com destaque para os setores de veículos automotores, com aumento de 14%, refino de petróleo e álcool (13,7%), têxtil (8%) e químicos (5,3%).
Refletindo a desaceleração da economia chinesa, cujo PIB caiu de 7,7% no primeiro trimestre deste ano para 7,5% no segundo, a produção física da indústria extrativa brasileira mantém-se em queda.
Enquanto no acumulado dos últimos 12 meses, a produção da indústria brasileira em geral caiu 0,5%, a extrativa recuou 3,5% e a de transformação, 0,4%. No mesmo período, a produção da indústria mineira aumentou 1,7%, a de transformação cresceu 2,4%, e a extrativa caiu 2,1%. No acumulado do ano, a extrativa registrou uma queda de 7%.
Fonte: Agência Minas / Diário do Comércio