
Há pessoas que guardam segredos a sete chaves e, outras, confessam que não conseguem ficar de boca fechada. Até certos limites, isso é perfeitamente compreensível, porque não somos todos iguais e os critérios éticos variam de pessoa pra pessoa.
O problema é que a maioria acha que age corretamente e se enche de razão quando explica seus atos. Bem, se nem as leis são obedecidas, quanto mais as boas maneiras e os princípios morais! Mas quem despreza uma boa amizade e a trai a toda hora, com certeza, se arrependerá um dia.
Uns erram e aprendem, menos mal. O pior acontece com aqueles que insistem em continuar errando. De pecadinho em pecadinho, vão semeando maldades e fazendo intriga entre as pessoas. E o que ganham com isso? Uma imagem ruim e fama de fofoqueiro!
Mas, quem age assim, pensa que é a única maneira de chamar a atenção e ser ouvido, embora com consequências trágicas aqui na Terra como no Céu. Se Jesus nos pediu para pregar a paz, quem a despreza está se condenando! E você talvez pense que estou exagerando em supor que pessoas que falam besteiras demais vão para o inferno, porém, esta hipótese não é tão absurda como pode parecer.
Um dia, recebi um correio eletrônico de uma colega, dizendo que estava indignada com um artigo publicado na Revista Veja. Quem escreveu foi o colunista Tales Alvarenga, que emitiu esta opinião:
“Poucas vezes se teve a oportunidade de ouvir tanta teologia vulgar como a que banhou a mídia depois do tsunami que fez 160.000 mortos. O tom geral dos sábios que se manifestaram é mais ou menos o seguinte: ‘Se Deus existe e se é bom, como permite tragédias desse tipo?’ Resposta dada por eles próprios à indagação: ‘Deus tem sempre alguma razão para agir, mas seus desígnios são insondáveis.’
Pode alguém que não seja totalmente mentecapto contentar-se com uma tolice dessas? Se Deus (qualquer deus) existe ou não existe, isso é uma questão que cada um deve resolver consigo próprio. O certo é que, se existir, Deus não interfere nunca.
Tudo isso acontece desde o início dos tempos e Deus (qualquer um deles) fica lá de cima contemplando a cena com cara de paisagem. Vez por outra, um humano desesperado consegue arrancar um suposto milagre da divindade. E o folclore dessas exceções alimenta o fio inquebrantável da fé, que atravessa os séculos. Eu diria, amigos, que vocês não devem reclamar de Deus nas tragédias porque ele nada tem a ver com isso. Também não devem agradecer a ele graças alcançadas.
É impressionante como as pessoas incomodam Deus e todos aqueles santos que se sentam nas nuvens com os mais triviais pedidos. Se ele existir, acredito que qualquer encomenda que lhe façam, grande ou pequena, tem exatamente a mesma importância para ele. Nenhuma. Não porque, em teoria, a divindade se desinteresse. E sim porque, na prática, se Deus existe, seria incoerente da parte dele fazer discriminação contra ou a favor de suas criaturas.
Não acredito em milagres. Se fossem possíveis, as crianças conseguiriam transformar o mundo numa infinita Disney World e os marmanjos criariam um país em que todas as mulheres se chamariam Carolina Dieckmann. Noventa milhões de Carolinas Dieckmann se locomovendo pelas calçadas brasileiras. Oh, meu Deus!”
Bem, na época, assim a minha colega respondeu à Veja, criticando a matéria do infeliz ateu que busca a condenação da alma:
“Fiquei indignada ao ler a coluna ‘Santo nome em vão’, publicada por vocês. Primeiramente, quero resgatar que quando o mundo foi criado, o homem ganhou o poder sobre a natureza. Agora, se ele a desrespeita, ela vai dar seu retorno. As tragédias não acontecem por culpa de Deus. Se acontecem muitos tsunamis de natureza diferente no mundo todos os dias, não vamos culpá-Lo. Todos esses acontecimentos são consequência da ganância do homem que quer passar por cima de tudo e de todos para ser cada vez melhor e ter cada vez mais.
É lastimável saber que existe gente que pensa que ‘tudo isso acontece desde o início dos tempos e Deus fica lá de cima contemplando a cena com cara de paisagem’. O maior exemplo da presença d´Ele é o simples fato de estarmos vivos. Como já disse anteriormente, a fé precisa ser vivida. Ela transcende o humano, por isso só quem a busca vai entender esse mistério. Não existem palavras para descrevê-la.
Não é um incômodo, de forma alguma, pedirmos algo para Deus. Realmente o Reino não é deste mundo. Se fosse, todas as pessoas do planeta valorizariam Aquele que se fez homem, se humilhou e morreu na cruz para pagar os nossos pecados. Entretanto, Ele nos ama tanto e é tão misericordioso que nos deu livre arbítrio.
O ateu é um ser tão incoerente que frequentemente, sem perceber, exclama: ‘Sou ateu, graças a Deus!’”
Nem sobrou espaço para eu comentar as palavras do colunista que fala asneiras demais, mas nem é preciso, a minha amiga já disse tudo. Em nome dos católicos, parabéns!
Por Paulo R. Labegalini
Cursilhista e Ovisista. Vicentino em Itajubá. Engenheiro civil e professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas (Pouso Alegre – MG).
Livros do autor: