O Secretário municipal de Defesa Social de Itajubá, Coronel André Coli, detalhou as ações adotadas pelo município diante do período chuvoso e reforçou a campanha de doações para cidades da Zona da Mata atingidas por fortes temporais.
Segundo o secretário, antes de iniciar a mobilização solidária, a Defesa Civil de Itajubá fez contato com municípios como Matias Barbosa, Juiz de Fora e Ubá para verificar as necessidades reais. A campanha prioriza apenas itens essenciais: água potável, materiais de limpeza (água sanitária, sabão em pó, detergente, vassouras e rodos), produtos de higiene pessoal (sabonete, shampoo, escova e pasta de dentes) e fraldas geriátricas ou infantis. Não estão sendo recebidos alimentos ou roupas.
As doações devem ser entregues no 56º Batalhão da Polícia Militar, na Rua Antiogo Podes, nº 120, bairro Vila Podes, ao lado do Corpo de Bombeiros. A estrutura foi disponibilizada em parceria com a Polícia Militar, responsável pelas ações de Defesa Civil no âmbito estadual. Um primeiro caminhão com donativos, especialmente água, já foi encaminhado, com apoio de indústrias locais, entre elas a empresa Cabelauto, que cedeu o veículo para transporte.
Em Itajubá, o prefeito Rodrigo Riera decretou situação de emergência nível 2 após as chuvas de fevereiro. De acordo com o Coronel André Coli, a medida visa garantir a mobilização de recursos estaduais e federais para recuperação de estruturas afetadas, como as pontes dos bairros Jardim das Colinas e Santos Dumont, que tiveram as bases comprometidas.
O decreto foi homologado pelo Governo de Minas Gerais e reconhecido pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, permitindo que o município protocole projetos técnicos para captação de recursos. Cada ocorrência é registrada com fotos georreferenciadas e relatórios inseridos na plataforma federal de desastres (S2ID), seguindo os trâmites exigidos.
Além das pontes urbanas, a BR-459 é motivo de preocupação. A rodovia é considerada estratégica para o abastecimento e o escoamento da produção industrial da cidade. Intervenções emergenciais já foram realizadas em pontos críticos, inclusive com apoio da Secretaria Municipal de Obras.
Itajubá possui 47 áreas de risco mapeadas, sendo cerca de metade com risco geológico. O solo encharcado aumenta a possibilidade de deslizamentos, especialmente após chuvas concentradas. O município vem estruturando Núcleos Municipais de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) em cada área, com envolvimento direto da população para orientação sobre rotas de fuga e ações de autossalvamento.
O secretário destacou que, apesar de a última chuva ter registrado média de 31 milímetros em cerca de 40 minutos, o volume não foi o maior já suportado pela cidade. O problema principal, segundo ele, foi a concentração da precipitação e a drenagem comprometida, muitas vezes por bocas de lobo obstruídas por lixo.
A orientação é que moradores evitem descartar resíduos em dias de previsão de chuva intensa e observem sinais de risco, como inclinação de árvores e cercas — indicativos de possível movimentação de solo — e dificuldade recente para abrir portas e janelas, o que pode apontar comprometimento estrutural.
O município também ampliou o monitoramento pluviométrico. De um único pluviômetro instalado em 1968, a cidade passou a contar com 15 equipamentos, permitindo análises mais precisas sobre o regime de chuvas.
Para o Coronel André Coli, o enfrentamento dos impactos das chuvas exige ação técnica contínua e participação da comunidade. “Cada desastre demanda um novo trabalho técnico e burocrático. Estamos estruturando a cidade para responder melhor e prevenir danos maiores”, afirmou.
Por Redação, com informações de André Coli