A discussão sobre mudanças climáticas, estiagem e o uso responsável da informação científica ganhou destaque com a participação de Vitória Baratella, diretora da Asthon Tecnologia, e Michelle Reboita, pesquisadora do Centro de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). O conteúdo reforçou que, apesar de discursos céticos baseados em ciclos naturais do planeta, os efeitos do aquecimento global já são sentidos de forma concreta, especialmente pelas populações mais vulneráveis.
Michelle Reboita destacou que pequenas quantidades de poluentes são suficientes para causar grandes impactos climáticos, já que a circulação atmosférica transporta gases e aerossóis para regiões distantes. Segundo ela, eventos extremos como chuvas intensas, secas prolongadas e episódios recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, estão associados ao aumento excessivo das temperaturas globais. A pesquisadora também alertou que os mais pobres são os mais afetados, por terem menos acesso a mecanismos de adaptação, como climatização e infraestrutura adequada.
Outro ponto levantado foi a preocupação com a disseminação de informações incorretas ou distorcidas, muitas vezes amplificadas por redes sociais e até por imagens geradas por inteligência artificial. Michelle ressaltou a importância de buscar fontes confiáveis e pesquisadores reconhecidos, além de checar currículos e a origem das informações antes de compartilhá-las. Ela lembrou ainda que ferramentas de IA podem auxiliar, mas não devem ser usadas como referência única sem análise crítica.
No campo meteorológico, a pesquisadora apresentou dados preocupantes sobre o regime de chuvas no Sul de Minas. A primavera registrou apenas 197 milímetros, menos de 50% do esperado. Em dezembro, choveu 119 milímetros, quando a média histórica é de 212, e em janeiro, até a metade do mês, foram registrados apenas 49 milímetros, frente a uma expectativa de cerca de 240. A previsão climática indica que o verão deve terminar abaixo da média, o que agrava a situação hídrica, eleva as temperaturas e aumenta a demanda por energia elétrica.
Esse cenário, segundo Michelle, pode levar ao acionamento de usinas termelétricas movidas a carvão, encarecendo a conta de luz, com expectativa de aumento tarifário em torno de 5,4%. A estiagem também representa riscos à agricultura, ao abastecimento de água e à saúde pública, com possibilidade de aumento de doenças como a dengue, favorecidas por verões mais quentes e secos.
Vitória Baratella apresentou o trabalho da Asthon Tecnologia no monitoramento ambiental, com sistemas que medem nível de rios, volume de chuvas, variáveis meteorológicas e que utilizam inteligência artificial para prever cheias com base em dados históricos. Atualmente, cerca de 15 municípios utilizam o sistema, incluindo cidades do Sul de Minas e do Sul do país. Segundo ela, a IA é constantemente retreinada e sempre acompanhada por profissionais, reforçando que a tecnologia não substitui a análise humana especializada.
A diretora ressaltou ainda a importância do monitoramento integrado das bacias hidrográficas, da ampliação das redes de sensores e da atuação conjunta com meteorologistas para interpretação qualificada dos dados. Municípios e instituições interessados em conhecer ou aderir às soluções podem entrar em contato com a Asthon Tecnologia pelo telefone (11) 97563-5251 ou pelo site www.asthon.com.br
O debate reforçou ainda a necessidade de ações ambientais estruturantes, como reflorestamento, proteção de nascentes e uso consciente dos recursos naturais. Para as especialistas, cuidar do planeta é uma urgência coletiva, baseada em ciência, planejamento e responsabilidade social.
Por Redação, com informações de Michelle Reboita e Vitória Baratella