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8 de out. de 2026
El Niño afeta a agricultura e amplia riscos climáticos para crianças
Pesquisadora Michelle Reboita destaca os efeitos das chuvas irregulares, do calor e dos eventos extremos em diferentes regiões do Brasil.
Por Conexão Itajubá
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A passagem de uma frente fria deve provocar chuvas no Sul de Minas no fim deste domingo e na segunda-feira, feriado de Nossa Senhora Aparecida, segundo a professora Michelle Reboita, pesquisadora do Instituto de Recursos Naturais da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e coordenadora do Projeto Conexão Itajubá Amigos do Clima. A previsão exige atenção redobrada de romeiros que vão percorrer as rodovias em direção ao santuário de Aparecida e dos motoristas que circularão pela região.
De acordo com Michelle, as condições do tempo devem permanecer semelhantes às atuais até sábado, mas a chegada da frente fria, próxima ao litoral entre São Paulo e Rio de Janeiro, favorecerá a ocorrência de chuva no domingo, principalmente no fim do dia, e na segunda-feira. Embora os volumes previstos não sejam muito elevados, a pesquisadora recomenda que os romeiros levem capas de chuva e redobrem os cuidados ao caminhar às margens das estradas. Para os motoristas, o alerta é para a redução da visibilidade e o risco de aquaplanagem em pistas molhadas.
Chuvas acima da média em setembro
Itajubá registrou 220 milímetros de chuva em setembro, volume muito superior aos 66 milímetros esperados para o mês, conforme os dados apresentados pela pesquisadora. O acumulado foi quase quatro vezes maior do que a média prevista.
Em outubro, a expectativa é de aproximadamente 160 milímetros de precipitação. Até o momento da análise, o município já havia registrado 48 milímetros. Com a previsão de chuva para o domingo, a segunda-feira e os demais dias da semana seguinte, a tendência é de que o volume esperado para o mês seja atingido ou até ultrapassado.
Apesar do tempo mais nublado e da ocorrência de precipitações, as temperaturas devem continuar elevadas. Michelle explicou que outubro ainda apresenta volumes de chuva considerados dentro do esperado, mas a possibilidade de superar a média mensal merece atenção, especialmente pelos efeitos sobre as atividades agrícolas.
El Niño influencia a distribuição das chuvas
A pesquisadora explicou que o El Niño está associado ao aumento das temperaturas da superfície do Oceano Pacífico Tropical. Segundo ela, as anomalias de temperatura nessa região já ultrapassaram três graus em relação ao esperado, influenciando a circulação atmosférica e os padrões de chuva em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região. O Norte e o Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, enquanto o Sul pode receber volumes maiores. O Sudeste e parte do Centro-Oeste ficam sujeitos a condições variáveis, dependendo da configuração atmosférica.
No Norte do país, a redução das precipitações e o aumento das temperaturas podem diminuir a água armazenada no solo e atrasar a semeadura da soja. No Nordeste, a menor disponibilidade hídrica pode prejudicar culturas de verão e aumentar a necessidade de irrigação em lavouras de feijão.
No Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas também pode dificultar o plantio da soja. Já no Sul de Minas e em São Paulo, o aumento das precipitações pode favorecer a semeadura da cultura. Entretanto, condições muito úmidas e quentes podem beneficiar algumas doenças fúngicas e afetar plantações de café, hortaliças, cana-de-açúcar e frutíferas.
Em Minas Gerais, a distribuição irregular das chuvas pode prejudicar o desenvolvimento do café. O excesso de umidade favorece doenças fúngicas, enquanto condições inadequadas podem comprometer a floração e o desenvolvimento dos frutos. Michelle ressaltou que os impactos dependem das características de cada região e da intensidade das alterações climáticas.
Crianças estão entre as mais vulneráveis aos riscos climáticos
Outro ponto destacado pela professora foi um alerta da Unicef sobre a exposição de aproximadamente 30 milhões de crianças no Brasil aos riscos climáticos associados ao El Niño.
Segundo Michelle, os efeitos podem comprometer o acesso à educação, à alimentação e à saúde. Na região amazônica, a redução do nível dos rios pode dificultar o transporte de crianças que dependem de embarcações para chegar às escolas. Em áreas sujeitas a chuvas intensas e inundações, os deslocamentos também podem ser prejudicados.
A pesquisadora observou que muitas crianças dependem da alimentação oferecida nas escolas. Quando as aulas são interrompidas por eventos climáticos extremos, elas podem perder também uma importante fonte de alimentação. Além disso, os prejuízos materiais sofridos pelas famílias e o aumento dos preços dos alimentos podem agravar a insegurança alimentar.
O calor extremo representa outro risco, principalmente para crianças em fase de desenvolvimento. A exposição a temperaturas elevadas pode provocar desidratação e exaustão, enquanto as mudanças nos padrões de chuva e temperatura podem favorecer doenças.
Cuidados para enfrentar o calor
Michelle recomendou que a população mantenha a hidratação mesmo quando não sentir sede e evite a exposição direta ao sol nos horários mais quentes do dia, especialmente entre 10h e 15h. O uso de bonés, sombrinhas e outros meios de proteção também ajuda a reduzir os efeitos do calor.
A professora reforçou que a prevenção e a informação são fundamentais diante das mudanças nos padrões climáticos. O acompanhamento das previsões e a adoção de medidas simples de proteção podem reduzir os riscos associados às chuvas intensas e às temperaturas elevadas.
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