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14 de ago. de 2026
El Niño pode intensificar calor e elevar riscos à saúde no Sul de Minas
Pesquisadora da Unifei, Dra. Michelle Reboita, explica efeitos das ondas de calor, relação com o El Niño e cuidados durante o período seco.
Por Michelle Reboita
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As condições de calor registradas em Itajubá e em outras áreas do Sudeste estão associadas à atuação de sistemas de alta pressão e ao El Niño, segundo a Dra. Michelle Reboita, pesquisadora do Centro de Ciências Atmosféricas da Unifei e coordenadora do projeto Conexão Ambiente Amigos do Clima. O fenômeno deve atingir maior intensidade na primavera e pode contribuir para a ocorrência de extremos climáticos durante a primavera e o verão.
A situação exige atenção principalmente entre o fim de agosto e outubro, período marcado por maior ocorrência de queimadas e pelo agravamento do tempo seco. A combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e exposição prolongada ao calor pode afetar a saúde e aumentar riscos de desidratação, problemas cardiovasculares, renais e cerebrovasculares, além de asma, câimbras, erupções cutâneas e insolação.
Calor e saúde
Durante uma sequência de dias quentes, especialmente quando as manhãs também permanecem aquecidas, o organismo pode ter dificuldade para regular a temperatura. A termorregulação comprometida pode provocar exaustão e agravar problemas de saúde.
Entre os riscos estão o aumento da frequência cardíaca, possibilidade de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e redução da função renal causada pela desidratação. Pessoas com asma também podem apresentar agravamento dos sintomas.
A insolação é considerada uma emergência médica e pode provocar convulsões e outras complicações. A exposição prolongada ao sol também aumenta, ao longo dos anos, os riscos relacionados ao câncer de pele.
A recomendação é manter a hidratação, evitar exposição ao sol forte e ter atenção especial ao período entre 10h e 15h ou 15h30, quando a radiação solar é mais intensa.
El Niño e o clima no Sul de Minas
Segundo Michelle Reboita, o El Niño não deve provocar alterações significativas na precipitação do Sul de Minas durante o inverno. A chuva registrada até o momento está um pouco acima da média, mas sem diferença considerada relevante.
Para a primavera, a expectativa é de precipitação entre 10% e 15% acima do esperado. A região não apresenta, neste momento, indícios de uma estiagem prolongada.
Por outro lado, o El Niño pode contribuir para temperaturas mais elevadas no Sul de Minas. O inverno na região já apresenta temperaturas cerca de 2°C acima da média.
A pesquisadora também destacou que o aquecimento global potencializa os efeitos dos eventos extremos. Em julho, a média da temperatura do planeta ficou 1,47°C acima do período pré-industrial, segundo a informação apresentada durante a conversa.
Leia o artigo da Dra. Michelle Reboita: Climatologia das Ondas de Calor no Sudeste do Brasil entre 1980-2025
Municípios precisam se preparar
Michelle Reboita defende que os municípios considerem os efeitos das ondas de calor no planejamento local. Entre as medidas citadas estão a criação de áreas de refúgio, ampliação da arborização e instalação de pontos de hidratação.
A pesquisadora participa de uma equipe internacional voltada ao alerta sobre condições climáticas e medidas de adaptação. Entre os dias 20 e 21 de agosto, ela participará de uma conferência na Cidade do México com tomadores de decisão de países da América Latina.
O encontro discutirá sistemas de alerta, medidas de adaptação e geoengenharia. Um dos temas será a possibilidade de inserção de aerossóis na estratosfera para reduzir a radiação solar. A medida ainda é objeto de estudos devido aos possíveis efeitos em diferentes regiões, já que os ventos podem transportar os aerossóis para outros locais.
Período seco exige atenção
O tempo mais seco também aumenta a preocupação com queimadas. O fim de agosto, setembro e outubro estão entre os períodos de maior ocorrência de incêndios em Minas Gerais, no Centro-Oeste, no Pantanal e em parte da Amazônia.
A orientação é evitar desperdício de água, especialmente em atividades como lavar veículos e calçadas. A combinação entre calor e período seco exige atenção ao consumo e à disponibilidade do recurso.
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