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10 de set. de 2026
Primavera deve ter 30% mais chuva no Sul de Minas, prevê pesquisadora da Unifei
Professora Michelle Reboita, da Unifei, explica influência do El Niño, aquecimento global e impactos do clima na região
Por Conexão Itajubá
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A primavera de 2026 deve registrar cerca de 30% mais chuva do que o esperado no Sul de Minas, segundo a professora Michelle Reboita, pesquisadora do Centro de Ciências Atmosféricas da Unifei. A previsão considera os meses de setembro, outubro e novembro, período em que são esperados aproximadamente 520 milímetros de precipitação, contra uma média de 400 milímetros.
A previsão foi apresentada durante o Conexão Ambiente Amigos do Clima, com base nas condições atmosféricas observadas na região. O aumento das chuvas está relacionado à circulação atmosférica influenciada pelo El Niño, que deslocou sistemas responsáveis pela formação de chuva para áreas como Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Sul de Minas. O cenário deve manter setembro chuvoso e pode se estender para outubro.
Segundo Michelle Reboita, o inverno já foi mais chuvoso do que o habitual. A expectativa para a estação era de aproximadamente 100 milímetros, mas foram registrados cerca de 140 milímetros. Na primavera, a previsão é de aproximadamente 100 milímetros adicionais em relação à média dos três meses.
A pesquisadora explicou que um sistema de ventos fortes em altos níveis da atmosfera, entre 10 e 11 quilômetros de altitude, contribui para a formação de nuvens ao favorecer a ascensão do ar. Esse padrão deve continuar influenciando as condições de chuva no Sul de Minas ao longo das próximas semanas.
Para os próximos dias, a previsão indica chuva mais intensa inicialmente, com redução dos volumes no sábado e domingo. Na segunda-feira, pode ocorrer uma trégua, mas há possibilidade de retorno das chuvas durante a semana. As temperaturas devem permanecer próximas da média, com máximas entre 24°C e 25°C e mínimas de 16°C a 17°C, podendo subir caso a nebulosidade e a chuva diminuam.
Aquecimento global e El Niño
Michelle Reboita também destacou a preocupação com o avanço do aquecimento global. Segundo ela, agosto de 2026 foi o agosto mais quente já registrado e apresentou temperatura média global 1,65°C acima do período pré-industrial, considerado entre 1850 e 1900.
A pesquisadora participou, no final de agosto, de uma reunião no Senado do México com representantes políticos de países da América Latina para discutir o aquecimento global e a possibilidade de ultrapassagem do limite de 1,5°C. Ela ressaltou que o avanço das temperaturas pode aumentar os riscos de pontos de não retorno, com impactos sobre as calotas de gelo, a Amazônia e a biodiversidade.
De acordo com Michelle, o El Niño é um fenômeno natural relacionado ao aquecimento das águas do Pacífico tropical. Entretanto, suas temperaturas mais elevadas podem se somar ao aquecimento global provocado pela ação humana, criando um processo de retroalimentação entre oceano e atmosfera.
No Sul de Minas, o aumento das chuvas previsto para a primavera pode contribuir para moderar as temperaturas, já que parte da energia disponível na superfície é utilizada na evaporação da água. Mesmo assim, os efeitos das alterações climáticas permanecem relevantes para a agricultura, a saúde e a economia.
A pesquisadora destacou ainda que diferentes países latino-americanos percebem os riscos climáticos de maneiras distintas. O Panamá, por exemplo, tem uma relação direta entre disponibilidade hídrica e funcionamento do Canal do Panamá, o que torna os impactos da redução das chuvas especialmente evidentes para a economia do país.
Michelle Reboita informou que pretende compartilhar um relatório da Embrapa com orientações para agricultores diante das condições climáticas adversas. Embora o material seja voltado ao Sul do Brasil, as recomendações também podem ser aplicadas ao Sudeste.
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