
Caramelo e Orelha. O primeiro teve sorte e fugiu antes de ser afogado. O segundo, ao morrer, levantou a cortina que mostrou o horror a que são submetidos animais, diariamente.
Essa crueldade tem nome: zoosadismo.
O mais chocante: tem crescido exponencialmente entre jovens adolescentes, particularmente os nascidos em famílias de classes altas.
A tortura não se limita a animais; atinge também outros adolescentes, geralmente meninas, dentro de casa e na madrugada, nas redes criadas para essas atividades. Meninas são obrigadas a se mutilarem (ou coisa pior) on line, às vezes assistidas por mais de 600 jovens ou adultos, no quarto ao lado do quarto dos pais.
O Discord é, talvez, a maior das plataformas que estimulam esses crimes, desde 2015, e tem cerca de 200 milhões de usuários pelo mundo, incluindo o Brasil. Esse número cresce sem parar, de tal forma que os núcleos da Polícia Federal que investigam esses crimes acabam por desmantelar e punir um número menor de grupos do que o número dos que se formam.
Quais as razões para essa escalada de proporções assustadoras? Inúmeras, talvez: destruição acelerada de valores morais, pais cansados de filhos rebeldes, exposição diária à violência em todos os níveis, educação formal de baixíssima qualidade, pressão contínua por status (e, no caso dos jovens, por aceitação a qualquer custo), impunidade para crimes menores, o que confirma ao jovem que ele é invencível, qualidades emocionais como empatia, cuidado com os menos favorecidos, respeito pelas diferenças…
Chega?
No entanto, surpreendentemente, o caminho para a mudança de números tão assustadores como esses, está nas mãos de cada um de nós, e no interior das nossas casas.
Duvida? Basta refletir um pouco…
Por Graça Mota Figueiredo. Professora Adjunta de Tanatologia e Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina de Itajubá