A indústria na região do Sul de Minas e Vale do Sapucaí reflete o que acontece no Brasil todo. Existe uma preocupação geral dos empresários com relação ao comportamento econômico, à oferta e demanda, à inflação, ao desemprego e à recessão econômica que já havia sido prevista no começo do ano de 2014, embora não tenha sido divulgada nas grandes mídias. Para o Diretor de Economia da Minas Trafo, Juvêncio Júnior, os números são claros: há uma retração e o empresário está com um dos índices de estoque mais altos desde 2007.
No cenário internacional os Estados Unidos tiveram uma retração no primeiro trimestre e a Zona do Euro expandiu 0,4%, ambos resultados já esperados por duas economias muito sólidas. No Brasil, a indústria automotiva, considerada a locomotiva para a indústria nacional, tem hoje 35 mil trabalhadores diretos parados, seja de férias ou trabalhando em período parcial. A inflação no país, apenas nos dez primeiros dias de junho, teve um aumento de 0,13%. Em Minas Gerais a economia retraiu 0,7% no primeiro trimestre.
O Sul de Minas não é diferente. A indústria na região vem refazendo os cálculos e se preparando. As empresas, principalmente relacionadas à importação, estão demitindo seus funcionários e não há previsão de retomada. Os índices são preocupantes e indicam que de fato há uma recessão acontecendo, não se trata de especulação ou medo, o empresário já está sentindo uma queda, as metas não foram cumpridas.
O Governo lançou recentemente um pacote de concessões, um plano que envolve obras gigantescas para o Brasil. Segundo divulgado são onze trechos de rodovias, quatro aeroportos, cinco rodovias e vários terminais portuários que atrairão cerca de 200 bilhões de reais em investimentos no Brasil. O que é uma excelente notícia de maneira especulativa, mas algo preocupante quando se pensa de maneira realista. Das obras que foram anunciadas, muitas delas sequer têm o plano de viabilidade econômica, conta Juvêncio.
Tudo isso leva à questão do prazo, quando que essas medidas irão repercutir positivamente na economia? Caso a especulação esteja certa, a privatização irá acontecer, ou seja, existirão empresas privadas que aceitarão absorver essa infraestrutura e isso irá retornar como ganho de capital positivo para o país. O problema é que o Governo vem se comportando de uma maneira que não passa segurança, até mesmo sobre a sua capacidade de gerir um plano desse com a qualidade necessária.
Caso o plano seja vantajoso para os empresários, eles aparecerão aos montes e dispostos a trabalhar com o Governo. Caso não compense, esse será apenas outro “conto da carochinha”.
Fonte: Conexão Itajubá / Panorama FM