
Muito se cobra do poder público o cumprimento das leis, a capacitação de professores, a contratação de profissionais de apoio… e tudo isso é, sem dúvida, necessário e legítimo.
Por outro lado, famílias atípicas se desdobram diariamente para tornar a vida de seus filhos um pouco mais acessível: buscando oportunidades, visibilidade, respeito e, acima de tudo, pertencimento dentro das escolas.
Sem entrar no mérito das escolas especializadas — como as APAEs, que já nascem com uma cultura de inclusão mais consolidada — fica uma pergunta que raramente é feita quando falamos das escolas tradicionais:
Será que as famílias de crianças típicas também compreendem a importância de falar sobre inclusão dentro de casa?
Uma reflexão importante: Será que uma criança típica de 13 anos é, por si só, preconceituosa? A resposta, quase sempre, é não. A criança aprende. Observa. Repete. Absorve.
E é aí que entra o papel fundamental da família.
Como os pais conversam com seus filhos quando eles se deparam com um coleguinha neuro divergente? Será que explicam? Orientam? Sensibilizam? Ou silenciam, desviam o assunto e deixam que a criança construa suas próprias conclusões — muitas vezes baseadas em medo, desconhecimento ou “rótulos”, ou simplesmente corroboram ainda mais para capacitismo e a discriminação?
Vivemos tempos em que se cobra muito das escolas — e com razão —, mas pouco se fala sobre a responsabilidade das famílias típicas nesse processo. Grande parte do preconceito que vemos entre crianças não nasce nelas. O preconceito vem de casa. Vem do adulto.
A exclusão começa quando não se ensina o valor da diferença. Quando não se ensina que o outro não é “estranho”, “coitado” ou “doente”, mas apenas diferente — e digno do mesmo respeito.
Então, o que é preciso fazer para colaborar com a mitigação disso?
Conversar com nossos filhos; Ensinar empatia e respeito; Naturalizar a convivência com a diversidade, até porque cada um é um ser único, com dificuldades e limitações, uns aprendem mais rápido que outros, uns falam mais, outros menos, e assim é o mundo em que vivemos; Mostrar, pelo exemplo, que todos têm valor; Incentivar a amizade, não a tolerância fria, mas o acolhimento verdadeiro e fraterno. (Abro um parênteses para já adiantar sobre o tema do Dia Internacional da T21 2026, que traz a seguinte temática: “Together Against Loneliness”, que será trabalhado aqui no Brasil como “Amizade, Acolhimento, Inclusão… Xô Solidão!”, muito relacionada com a reflexão que estamos propondo neste texto)
Costumo dizer — e acredito profundamente nisso — que Deus e o amor são a base de tudo. É no lar que uma criança típica aprende a amar, a respeitar e a se colocar no lugar do outro. Quando uma família prepara o coração de seus filhos para enxergar o próximo com amor e respeito, ela não está apenas formando uma criança melhor, mas tornando uma sociedade mais justa, humana e verdadeiramente inclusiva.
Porque inclusão não começa na escola. Começa em casa!
“Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu” Rm 15,7
Eduardo Hideo Sato – Pai do Rafael de 13 anos que tem a T21, idealizador e coordenador da 1ª equipe de Futsal Down de MG
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