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Sala vazia

Publicado por Luiz Augusto Fernando Guimarães em 13/10/2017
Lá fora daquela janela pintada de lágrimas translúcidas, uma chuva decidida e ininterrupta balançava as flores e tamborilava nas telhas velhas.

O som entrava pelo forro abafado num murmúrio distante. No meio do teto uma lâmpada que pouco brilhava, falhava num ritmo frenético como um velho trêmulo ao arrastar os pés por uma calçada molhada. Na lareira o fogo crepitava preguiçoso, apenas um curto toco chamuscado onde uma chama de um vermelho meio amarelado estremecia esculpindo sombras trêmulas nas paredes. No chão jazia um baralho caído aos pés de uma cadeira pouco segura. As cartas se revelavam ou não, escolhendo se mantinham seu conteúdo oculto no tapete felpudo. As cartas eram o retrato da sala que se mostrava abandonada, presa num tempo qualquer. No sofá de bordados opacos uma almofada estava a quase despencar para os pés da mesa de centro, que por sua vez segurava em suas costas um bule com a tampa meio torta por onde um pequeno fio branco e perfumado subia serpenteando com calma, até se desfazer com um giro anguloso. A acompanhar o bule, três xícaras estavam calmas, cada uma com seus próprios devaneios. Uma delas tinha uma flor amarela meio desbotada, onde uma gota de café estagnada cortava uma de suas pétalas pintadas com o último suspiro de um sol. A outra disposta perigosamente na beirada da mesa mostrava uma pequena réstia de café depositada no fundo, sua cor parecia a de um vermelho muito forte e os seus contornos lembravam uma montanha achatada. Em uma das bordas uma Hortência despontava serena. A última delas estava vazia, não tinha nenhum resquício de bebida ou mesmo de pintura, seu branco era imaculado e encantador, enquanto este era desfeito com ternura por uma fina rachadura bruxuleante que acompanhava sua alça cândida. Seu branco sugava delicadamente o pequeno mundo à sua volta, um mundo preso num outro tempo qualquer.

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