A Santa Casa de Misericórdia de Itajubá enfrenta um cenário alarmante com os estoques de sangue em níveis críticos, especialmente durante o período de inverno. A situação, que se agrava sazonalmente, impacta diretamente o atendimento a pacientes que dependem de transfusões, como os de hemodiálise, que consomem uma quantidade constante de sangue devido a condições crônicas.
De acordo com Jéssica Silveira Rodrigues, analista de laboratório pleno e biomédica responsável técnica interina, a redução no número de doadores ocorre principalmente devido a fatores sazonais, como gripes, resfriados e estados febris, que tornam os voluntários temporariamente inaptos. “Nessa época do ano, o número de doadores diminui, mas a demanda por sangue permanece constante, especialmente para pacientes crônicos”, explica Jéssica. Ela destaca que a Santa Casa abastece sete setores, sendo a hemodiálise um dos que mais consomem sangue, o que torna a reposição do estoque uma necessidade urgente.
Emanoele Emily Mendes, enfermeira líder do setor de UTI, reforça a importância da conscientização da população. “A doação de sangue não prejudica o doador e é essencial para salvar vidas. Precisamos da colaboração de todos para manter o estoque”, afirma. Ela esclarece que existem dois grupos de impedimentos para doação: os temporários, como pessoas com gripe, febre, grávidas, lactantes (até 12 meses após o parto), ou que realizaram tatuagens, piercings, endoscopias ou tomaram certas vacinas; e os definitivos, como portadores de hepatite B ou C, HIV, doença de Chagas ou usuários de drogas ilícitas.
A doação deve ser agendada e ocorre às quintas e sextas-feiras, das 7h30 às 11h30, no Posto de Coleta da Policlínica da Varginha, em Itajubá. Um sábado por mês também é reservado para coletas, com agendamento pelo WhatsApp (35) 99851-1912. Jéssica explica que, embora a doação não seja direcionada a um paciente específico, ela supre a cota necessária para cirurgias ou tratamentos, garantindo a reposição do estoque. “Quando alguém precisa de sangue para uma cirurgia, pedimos três doadores por bolsa utilizada, mas o sangue vai para o estoque geral”, esclarece.
A falta de doadores pode levar ao cancelamento de cirurgias eletivas, aumentando a fila de espera. Emanoele reforça que a doação é um gesto de solidariedade que não exige vínculo com pacientes específicos. “Não precisamos esperar que um familiar precise para ajudar. É um ato para a sociedade”, destaca. Homens podem doar até quatro vezes por ano, com intervalo de 60 dias, e mulheres, até três vezes, com intervalo de 90 dias.
A Santa Casa apela à população para que se mobilize e contribua com esse gesto de humanidade. Interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp informado para esclarecer dúvidas, verificar aptidão e agendar a doação. A situação é urgente, e a colaboração de todos é fundamental para evitar consequências graves no atendimento hospitalar.
Gravata: Jéssica Silveira Rodrigues, analista de laboratório pleno e biomédica responsável técnica interina, e Emanoele Emily Mendes, enfermeira líder do setor de UTI, alertam sobre a crise nos estoques de sangue da Santa Casa de Itajubá e reforçam a importância da doação para atender pacientes crônicos e evitar o cancelamento de cirurgias.
Por Redação, com informações de Emanoele Emily Mendes e Jéssica Silveira Rodrigues