A capoeira, expressão cultural e esportiva profundamente enraizada na história brasileira, foi o tema central de uma conversa marcante na cidade de Itajubá, Sul de Minas Gerais. Reunindo Mestre Dê, Contra Mestre Pancada, Professor Ronaldo Abranches e Marcílio D. Carvalho, o diálogo destacou a relevância da capoeira como patrimônio cultural e prática esportiva, além de celebrar sua evolução na região.
A capoeira, descrita por Mestre Dê como uma arte que engloba diversas vertentes, transcende a definição de esporte ou cultura, unindo ancestralidade, musicalidade, artes marciais e condicionamento físico. “Ela abrange tanto a cultura, pelas questões das ancestralidades, quanto o esporte, pela luta e pela parte aeróbica. É uma riqueza que trabalha vários aspectos”, afirmou Mestre Dê, recentemente consagrado com a corda branca em um festival, marcando seu reconhecimento oficial no universo da capoeira.
No contexto esportivo, a capoeira tem ganhado espaço em competições estruturadas, como o campeonato Volta do Mundo Bambas, que reuniu capoeiristas renomados na sua nona edição, e os Jogos Mundiais, realizados em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. Contra Mestre Pancada destacou que, nas competições, o contato físico é essencial, com pontuações baseadas em golpes técnicos, quedas e rasteiras, dentro de regras bem definidas por federações. “Hoje, a capoeira é muito bem estruturada, com seleções e apoio de federações, valorizando a disciplina e quebrando paradigmas históricos de marginalização”, explicou Pancada.
Em Itajubá, a capoeira tem raízes profundas, com uma trajetória iniciada por Mestre Dê em 1975, quando fundou o primeiro núcleo na Imbel. Desde então, o trabalho evoluiu significativamente, culminando no reconhecimento de utilidade pública municipal, estadual e federal. “Comecei com poucos recursos, mas continuamos a luta. Já levei de 3 a 5 mil pessoas em eventos, e hoje temos uma estrutura que cresce a cada ano”, relatou Mestre Dê, orgulhoso do impacto da capoeira na região.
Atualmente, a cidade conta com diversos grupos, como o Projeto Cultural Filhos da Mantiqueira, Liberdade, Dendê Moruô e Anauê de Cristina, atendendo a um grande número de praticantes, especialmente crianças. Contra Mestre Pancada, que trabalha com cerca de 35 a 40 alunos no bairro Jardim das Colinas, destacou a importância de núcleos de apoio e da parceria com a prefeitura, que cede espaços como quadras e polos esportivos. “Temos o sonho de conquistar uma sede própria, um ponto cultural para a capoeira, que seria um marco para todos os grupos”, afirmou.
O recente Festival de Cultura em Itajubá, contemplado pela Lei Aldir Blanc, reuniu mais de 200 capoeiristas, evidenciando a força da prática na região. Contra Mestre Pancada aproveitou para expressar sua gratidão: “Agradeço a Deus pela saúde e pela oportunidade de estarmos aqui. Agradeço ao Mestre Dê, que me guia desde os 11 anos, à Secretaria de Cultura, à secretária Cássia, ao Rogério, ao seu Élcio, ao Adriano e aos pais dos alunos do projeto. Um agradecimento especial à Associação de Moradores do bairro Jardim das Colinas, na pessoa do presidente Renato, que sempre abriu as portas para nosso trabalho, e ao professor Renan, fundador do Projeto Cultural Filhos da Mantiqueira”.
A capoeira, como patrimônio imaterial do Brasil, continua a conquistar espaços e corações em Itajubá, unindo gerações e promovendo valores de disciplina, respeito e diversidade cultural. Para os mestres e praticantes, o futuro da capoeira na cidade depende do apoio contínuo de autoridades, empresários e da comunidade, que são convidados a apoiar iniciativas que fortaleçam essa expressão tão rica e plural.