Na expectativa de conquistar novos mercados para os próprios produtos, o agricultor familiar Lourival Araújo, do Projeto de Assentamento XV de Novembro, em Paracatu, Noroeste de Minas, ainda comemora os bons resultados da participação na 6ª Feira da Agricultura Familiar de Minas (Agriminas), e faz planos para aumentar a produção. A feira foi realizada em agosto pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), em Belo Horizonte.
“Em seis participações, esta foi a melhor. Vendi mais de 4 mil cabaças, entre peças de artesanato e matéria-prima. O faturamento, em torno de R$ 6 mil, foi muito bom. Além de vender, conseguimos fazer muitos contatos para o futuro”, afirma Araújo. Segundo o agricultor, só no primeiro dia, foram vendidas 600 cabaças para um comerciante de São Paulo. “Também vendi sementes de cabaças para compradores do Maranhão e peças para interessados do Rio de Janeiro”, acrescenta.
Além de saber trabalhar coletivamente na Associação do Projeto de Assentamento, Lourival Araújo, conhecido como Lourinho, mostra que o empreendedorismo é uma realidade na agricultura familiar. “Vou ter de aumentar a produção de cabaças, por isso estou buscando sócios e selecionando sementes”, revela. Hoje, os variados tipos de cabaça que Araújo cultiva ocupam uma área de três hectares no assentamento e são plantados em consórcio com outras culturas, entre elas mandioca, feijão guandu e abacaxi. E as variedades das cucurbitáceas têm ainda a vantagem de serem cultivadas com adubos orgânicos.
“Ele planta mais de 20 tipos de cabaça, com formas e tamanhos variados, e faz um artesanato muito criativo. A gente orienta. Temos, por exemplo, a preocupação de ensinar como evitar cruzamento entre as espécies para não haver mutações e prejudicar o trabalho dele. Sugerimos o plantio em lotes e com outras culturas”, explica o agrônomo Mauro Ianhez, do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). A empresa, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), presta assistência ao agricultor e a outras 72 famílias do assentamento.
Com o ânimo renovado pelo bom desempenho da mostra na Agriminas, o agricultor de Paracatu se prepara agora para a próxima Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Fenafra). “Acabei de fazer inscrição e estou torcendo para ter meu trabalho selecionado. Pretendo levar 1.050 peças de artesanato em cabaça”, informa. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), responsável pela realização do evento, a feira será realizada no mês de novembro, provavelmente em Brasília.
Diversificação
Adepto da diversificação das atividades rurais, Araújo também conta com os serviços da Emater-MG em outros projetos, como plantio de eucalipto, formação de pastagem, produção de polpas de frutas do Cerrado, farinha, mel e rapadura.
Em todo o Estado, a Emater-MG atende 8.320 famílias de assentados, em 150 assentamentos, por meio de contrato com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Destas famílias, 531 são de oito assentamentos do município de Paracatu.
Fonte: Agência Minas