O futebol feminino em Itajubá vem ganhando destaque, com uma nova geração de atletas promissoras e conquistas importantes. Recentemente, o time feminino do Yuracan, liderado pela capitã Lindsey Maiara e pelo técnico Guilherme Mereu, celebrou o bicampeonato da Super Liga de Baependi, vencendo a equipe Tabajara por 3 a 1, com direito a um golaço de falta marcado por Lindsey.
Apesar do sucesso, as jogadoras enfrentam desafios significativos. Lindsey destaca que, desde cedo, meninas têm responsabilidades domésticas que muitas vezes se sobrepõem ao esporte, diferentemente dos meninos, cujo treino é frequentemente priorizado. “A menina de 12 anos já tem tarefas em casa, enquanto o menino tem o treino como principal”, explica a capitã. A falta de retorno financeiro também é um obstáculo: enquanto jovens atletas masculinos podem conseguir contratos em clubes de divisões inferiores, as meninas precisam chegar a times de elite para obter alguma remuneração, o que exige investimento prolongado de tempo e recursos.
A história de atletas da seleção brasileira, como Debinha, de Brazópolis, e Yasmim, de Pouso Alegre, ilustra essas dificuldades. Debinha começou em um cenário com pouco apoio, mas, com suporte de professoras e da família, chegou ao Saad e à seleção. Yasmim, por sua vez, foi descoberta por um olheiro em um campeonato amador em São Gonçalo, indo diretamente para a seleção sub-17 e depois para clubes como São José e Corinthians. “Deus olhou pra ela”, brinca Lindsey, destacando que casos como o de Yasmim são exceções.
Guilherme Mereu reforça que a falta de estrutura, como suporte financeiro para transporte, alimentação e material esportivo, recai sobre as atletas e suas famílias, especialmente em clubes menores. Mesmo assim, ele acredita no potencial da região: “Nossa região tem muitas meninas boas, bem treinadas. Se continuar assim, Itajubá pode voltar ao topo.
”A conquista em Baependi é um marco para o Yuracan, que superou adversários fortes e consolida o trabalho de base na região. Lindsey, que se descreve como volante que “entra na porrada”, celebra o título, mas reconhece que, aos poucos, precisa cuidar mais do corpo para manter o ritmo. “Depois do jogo, ainda tô com dor. Vou melhorar lá pra quarta-feira”, diz, com bom humor.
O futebol feminino em Itajubá, apesar dos desafios, mostra que talento e dedicação podem levar longe. Com apoio familiar e técnico, como o de Guilherme Mereu, e a garra de atletas como Lindsey Maiara, a região segue revelando promessas e construindo um futuro promissor para o esporte.
Por Redação