O futebol brasileiro segue fervendo após a pausa para o Campeonato Mundial, trazendo à tona debates sobre o desempenho dos clubes e a crescente influência das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Em um bate-papo descontraído, a comentarista Vitória Baratella e o professor Ronaldo Abranches analisaram o cenário atual do Campeonato Brasileiro e as transformações no futebol nacional.
Vitória Baratella destacou que, apesar da pausa para o Mundial, o Brasileirão parece não ter sofrido grandes mudanças no cenário competitivo. “É outro campeonato, mas os favoritos continuam os mesmos”, afirmou, apontando que clubes como Flamengo e Palmeiras seguem na liderança, enquanto surpresas como o Bragantino e o Cruzeiro aparecem como coadjuvantes de peso. No entanto, ela observou que times que não participaram do Mundial, como o Bragantino, voltaram “mais pesados” do que o esperado, apesar do período de descanso e preparação.
Professor Ronaldo Abranches complementou, enfatizando que o Mundial trouxe uma nova referência para os clubes brasileiros. “O futebol continua o mesmo, mas a experiência de enfrentar os principais clubes europeus é valiosa”, disse, citando o exemplo do Fluminense, que perdeu as quatro partidas disputadas após o torneio. Para Ronaldo, o intercâmbio internacional é essencial, mas a curto prazo, os clubes que permaneceram no Brasil tiveram vantagem na preparação. Ele também destacou a instabilidade do campeonato, apelidado de “Gangorra”, com alternâncias constantes na liderança entre Palmeiras, Flamengo, Bragantino e Cruzeiro.
A discussão também abordou a situação financeira dos clubes brasileiros, um tema cada vez mais relevante com a ascensão das SAFs. Ronaldo apontou que a transformação do futebol em uma indústria é inevitável, mas exige inteligência na gestão. Ele comparou o sucesso do Bragantino, que se beneficiou da SAF sob o comando de um investidor austríaco com uma fortuna de 244 bilhões de reais, com as dificuldades do Vasco, cuja SAF, gerida por um fundo de investimento de Miami, enfrenta problemas financeiros e administrativos. “O Vasco está brigando até para pagar a conta de luz”, lamentou. O Bahia, por outro lado, foi citado como um exemplo positivo, com um investidor árabe que está impulsionando o clube.
Vitória reforçou a importância de uma gestão séria para o sucesso das SAFs, citando o caso do Atlético Mineiro, que, mesmo sendo SAF, enfrenta problemas com atrasos salariais. “Não é só virar SAF, tem que saber administrar o dinheiro”, afirmou. A comentarista também destacou a força do Flamengo, que, mesmo sem SAF, segue contratando grandes nomes e liderando o campeonato, embora enfrente desafios internos.
Outro ponto levantado foi o impacto do calendário intenso do futebol brasileiro, com competições como Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana exigindo elencos robustos. Ronaldo alertou que clubes que poupam jogadores no Brasileirão para priorizar torneios de mata-mata podem acabar perdendo pontos importantes, como já ocorreu com o Bragantino em algumas rodadas.
A dupla também mencionou a chegada de novos jogadores ao futebol brasileiro, que podem se surpreender com a demanda do calendário nacional. “Os europeus não conhecem essa realidade. É jogo atrás de jogo, e o torcedor adora, sentado no sofá com pipoca e cerveja”, brincou Ronaldo.
Com o Brasileirão em andamento e confrontos decisivos nas competições continentais e na Copa do Brasil, o futebol brasileiro promete emoções intensas nas próximas semanas. Vitória Baratella e Ronaldo Abranches deixaram claro: o campeonato é imprevisível, e a gestão, dentro e fora de campo, será crucial para definir os rumos dos clubes na temporada.
Por Redação