O inverno de 2025 tem se destacado por manhãs mais frias e tardes mais quentes na região sudeste do Brasil, conforme explica a professora Michelle Reboita, pesquisadora do Instituto de Recursos Naturais (IRN) da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). A sensação térmica, que frequentemente diverge da temperatura indicada pelos termômetros, é influenciada por fatores como umidade e vento, afetando diretamente como o tempo é percebido.
De acordo com a pesquisadora, a sensação térmica é determinada pela interação entre a temperatura do ar, a umidade e a intensidade do vento. “Em dias quentes e úmidos, o corpo sente mais calor porque a umidade impede a evaporação do suor. Já em dias com ventos fortes, a evaporação da umidade da pele aumenta, intensificando a sensação de frio”, esclarece Michelle. Ela compara o efeito às diferenças entre saunas secas e úmidas, onde a umidade potencializa a percepção de calor.
Sobre as temperaturas em Itajubá, junho de 2025 registrou manhãs mais frias, com média de 10,6°C, inferior à climatologia histórica de 12,3°C. Por outro lado, as tardes foram mais quentes, com média de 23,2°C, acima dos 21,6°C históricos. Apesar dessas oscilações, a média diária do mês ficou próxima dos valores climatológicos, refletindo um equilíbrio entre os extremos.
A professora destaca que, embora as temperaturas médias em Itajubá e no estado de São Paulo tenham se mantido próximas às médias históricas, as manhãs mais frias resultam de dias ensolarados, sem nuvens ou vapor d’água, que favorecem a perda de energia térmica durante a noite. Já as tardes mais quentes são impulsionadas pela ausência de cobertura de nuvens, que permite maior aquecimento.
Michelle também alerta para a baixa umidade característica do inverno no Sudeste, especialmente em julho, que não registrou chuvas em Itajubá e na maior parte da região. “A média de chuva no inverno é inferior a 100 milímetros, e as previsões indicam volumes ainda menores este ano, o que pode impactar a agricultura e a saúde respiratória”, explica. Ela reforça a importância de evitar queimadas, que agravam problemas respiratórios, contribuem para o aquecimento global e aumentam o risco de acidentes e danos aos ecossistemas.
A pesquisadora recomenda cuidados extras com a saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios, devido à baixa umidade e aos contrastes térmicos. “As manhãs frias exigem agasalhos, mas as tardes pedem roupas leves. Esses contrastes podem afetar o sistema respiratório, especialmente em quem está com a imunidade baixa”, orienta. Michelle também alerta para o risco de doenças respiratórias em locais aglomerados, sugerindo precauções como evitar aglomerações e manter a hidratação.
Com a previsão de continuidade do padrão de baixa umidade e temperaturas extremas em agosto, a pesquisadora enfatiza a necessidade de cuidados com a saúde e a preservação ambiental. “Evitar queimadas e adotar medidas preventivas são ações essenciais para proteger nossa saúde e o meio ambiente”, conclui.
Por Redação